Saúde Oral

Médico dentista antecipa que sem subsídio de EPI mais de metade do setor privado vai fechar e saúde oral vai recuar 20 anos

Profissionais de Saúde celebram Dia Mundial da Saúde

Sem subsídio de EPI (equipamento de proteção individual) por parte do Governo, mais de metade do setor privado vai fechar, acredita o médico dentista Nelson Neves. A afirmação foi realizada em entrevista ao Portal Cascais, na qual foi pedido ao médico dentista que sintetizasse, em apenas uma frase, a sua previsão da situação da saúde oral no período pós-pandemia.

“Caso o Governo não subsidie os EPI na medicina dentária, mais de metade do setor privado vai fechar e a saúde oral dos portugueses vai recuar 20 anos por falta de capacidade económica dos cidadãos”, respondeu.

Na entrevista, o profissional falou sobre o impacto dos preços dos EPI na fatura de saúde, exemplificando a sua posição com uma notícia do Correio da Manhã, de 17 de abril, onde era exposta uma fatura do serviço de Urgência Pediátrica em que se cobrava os equipamentos de proteção. A fatura registava: “capa para sapato plástico”, “máscara respiratória FFP2”, “bata impermeável com punho elástico” e “luva nítrico sem pó”. Estes EPI refletiam-se num aumento na fatura de 26,12€.

À semelhança de outros relatos, Nelson Neves confirmou ainda que, no início da pandemia, os profissionais de saúde oral precisavam de ajuda na aquisição de EPI para que pudessem atender pacientes em situações de urgência.

Assim, foi criado um grupo nas redes sociais, “COVID-19 – URGÊNCIAS – Médicos Dentistas do Concelho de Cascais”, do qual faziam parte vários diretores clínicos do concelho de Cascais que enviavam os seus pacientes com urgências para colegas que ainda tivessem EPI para realizar o atendimento.

Os médicos dentistas enviaram um e-mail ao presidente da Câmara Municipal de Cascais a solicitar ajuda, no qual expuseram a situação, bem como a preocupação com o “futuro que medeia entre o levantamento das restrições e o aparecimento da vacina”.

No e-mail explicavam que “qualquer profissional de saúde oral responsável, que não queira colocar em risco a saúde pública, terá de colocar mais 45/50€ só para EPI em cima dos valores agora debitados, seja nos valores de seguros particulares, nos valores de tabelas da função pública e até nos cheques-dentista”.  Afirmavam ainda que, “mesmo após esta fase especulativa, será incomportável para o comum mortal suportar mais 20/30€ nos valores de cada consulta de medicina dentária”.

À listagem de material que os médicos dentistas e assistentes dentários são aconselhados a usar, pela Ordem dos Médicos Dentistas, acrescem ainda algumas proteções e um grande número material de desinfeção de superfícies e instrumentos a cada consulta.

“No período das urgências, chegou a ficar aos médicos e às clínicas por 2 x 20€ (médico e assistente). Hoje consegue-se por 2 x 10€, mas, mesmo que baixem para valores a rondar os 8€ por profissional, continuará a ser incomportável para as clínicas suportarem e, por razão das restrições orçamentais das famílias, incomportável para os pacientes”, esclarece Nelson Neves, reiterando que “é inevitável fazer repercutir os custos de EPI em fatura adicional ao paciente”. E deixa mais exemplos: “É impossível não fazer repercutir os custos de EPI em fatura adicional ao paciente numa destartarização de um seguro com valor de 29€ e o clínico gastar em EPI 20€ ao dia de hoje.”