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Estudo: Medicina dentária tem de se preparar para futuras crises

A medicina dentária precisa de se adaptar de forma a estar mais preparada para futuras crises, conclui um estudo feito pela Al-Quds University em Jerusalém, juntamente com o Ministério da Saúde Palestiniano em Ramala e a Universidade de Iowa (Iowa, Estados Unidos da América). A conclusão foi obtida através de um inquérito feito, em maio de 2020, a 488 médicos dentistas que praticavam a profissão na área da Cisjordânia, avança o Dental Tribune International [1].

Quase 60% dos inquiridos afirmou não se sentir preparado para reabrir. No tópico de tratamento de pacientes suspeitos de possuírem covid-19, cerca de 13% afirmou não estar confiante. A maioria (64%) disse ter pouca ou moderada confiança. Os autores descobriram que os dentistas que tinham recebido formação sobre controlo de infeções ou formação específica relacionada com a covid-19 relataram níveis mais elevados de confiança. Cerca de 75% dos inquiridos afirmaram ter dificuldades financeiras que os impediam de cumprir os seus compromissos a esse nível, no mês em que foi realizado o inquérito.

A investigação revelou ainda que os fatores financeiros e éticos eram as principais razões para os participantes retomarem a prestação de cuidados dentários.

A grande maioria (89,7%) dos inquiridos consideraram que o seu papel na resposta pandémica tinha sido prestar cuidados dentários urgentes aos pacientes e educar os outros sobre a covid-19 (82,4%).

Comentários dos investigadores

“Os dados deste estudo destacam a fragilidade da prática dentária privada em situações de emergência. Os desafios éticos, de saúde e financeiros que surgiram durante a covid-19 exigem que os dentistas se adaptem e estejam mais bem preparados para enfrentar futuras crises”, escreveram os autores.

Segundo a equipa de investigação, os resultados do estudo realçaram o facto de a medicina dentária ser realizada isoladamente de outras formas de cuidados de saúde. Os autores salientam que os médicos dentistas da amostra do inquérito raramente participaram nos esforços relacionados com a resposta pandémica e que apenas 58% dos inquiridos se tinham envolvido com colegas médicos para obter informações sobre a Sars-coV-2 [2] e a covid-19.

“A medicina dentária tem-se tradicionalmente focado quase exclusivamente no modelo de cuidados restaurativos e de reabilitação em vez de promover a saúde e o bem-estar dos indivíduos, deixando os dentistas com capacidade limitada para responder ou ser totalmente utilizados numa grande crise de saúde”, afirmam os autores.

“O futuro tem o desafio de integrar melhor os cuidados dentários com cuidados médicos primários e especializados. Essa integração assegurará que a saúde oral será tratada como uma parte importante da saúde geral das pessoas e não será ignorada”, concluíram.

Aos participantes foram feitas questões sobre a sua perceção dos riscos relacionados com a covid-19, o seu nível de preparação para resumir a prática dentária e quão confiantes estavam a tratar pacientes suspeitos de covid-19, assim como os fatores para esse nível de confiança. O estudo também examinou as suas perceções face à estabilidade financeira que possuíam e ao seu papel na resposta à pandemia.

O estudo, intitulado ““Reopening dental offices for routine care amid the COVID-19 pandemic: Report from Palestine [3]”, foi publicado online a 13 de fevereiro de 2021 no International Dental Journal.