Estudo

Amostras obtidas com solução bucal para detetar ADN de HPV podem ser biomarcador de carcinoma da cabeça e pescoço

Investigadores da Johns Hopkins University School of Medicine, em Baltimore, Estados Unidos da América, avaliaram o potencial de previsão de risco, recorrência e morte em casos de carcinoma de células escamosas da cabeça e pescoço através de amostras obtidas por bochecho com uma solução bucal para detetar o ADN do vírus do papiloma humano (HPV).

O estudo, publicado em maio e intitulado Association of oral human papillomavirus DNA persistence with cancer progression after primary treatment for oral cavity and oropharyngeal squamous cell carcinoma, revelou que o método é promissor enquanto biomarcador para a deteção do risco de progressão, ainda que os investigadores acreditem que são necessários mais estudos.

Para a investigação, os cientistas analisaram 396 adultos com uma idade média de 59 anos, 74,5% dos quais homens, que haviam tido carcinoma de células escamosas da boca ou garganta. Dos 396 pacientes, 217 tinham cancro da orofaringe, 170 tinham cancro da cavidade oral e 9 carcinoma de células escamosas da cabeça e pescoço primário oculto. A prevalência da deteção de HPV oral no diagnóstico foi mais elevada entre pacientes com HPV positivo do que entre pacientes HPV negativo com carcinoma de células escamosas da cabeça e pescoço.

Para recolher os dados, a equipa de investigadores recolheu amostras com uma solução oral no diagnóstico e durante a terapia primária. Foram ainda recolhidas amostras durante a radioterapia, tendo sido testadas para 37 estirpes de HPV.

Segundo os resultados, foi detetado ADN de HPV da mesma estirpe no tumor em 80% dos pacientes com cancro da orofaringe com HPV positivo, ainda durante a fase de diagnóstico. Os investigadores associaram a deteção persistente de ADN de HPV depois da realização da terapia primária ao risco aumentado de recorrência de cancro e morte.

O estudo deve um tempo de follow-up de cerca de dois anos e os investigadores acreditam que podem ter subestimado a associação entre a persistência do HPV e a recorrência do cancro, garantindo que é necessária mais investigação para esclarecer esta relação.

Pode ler o estudo aqui.