Estudo

Aditivo alimentar presente em pastas de dentes pode ser perigoso para a saúde

As nanopartículas do aditivo alimentar dióxido de titânio (E171), presente em mais de 900 produtos, incluindo pastilhas elásticas, medicamentos e até pastas de dentes, podem ter um impacto negativo sobre a saúde, revelou um estudo publicado em maio no jornal científico Frontiers in Nutrition.

Conduzido por investigadores da Universidade de Sydney, Austrália, o estudo, intitulado Impact of the food additive titanium dioxide (E171) on gut microbiota–host interaction, mostra que o E171 afeta a microbiota intestinal e prejudica algumas das suas funções, o que pode provocar doenças inflamatórias do intestino ou cancro colorretal. O aditivo alimentar foi também ligado a maiores incidências de demência, doenças autoimunes, metástases de cancro, eczema, asma e autismo.

Os resultados estão a gerar controvérsia entre os autores do estudo australiano – Gabriela Pinget, Jian Tan, Bartlomiej Janac, Nadeem O. Kaakoush, Alexandra Angelatos, John O’Sullivan, Yen Chin Koay, Frederic Sierro, Joel Davis, Shiva Kamini Divakarla, Dipesh Khanal, Robert J. Moore, Dragana Stanley, Wojciech Chrzanowski e Laurence Macia –, que já vieram exigir maior regulação e debate sobre o tema dos aditivos alimentares.

“Há evidências crescentes de que a exposição contínua a nanopartículas tem impacto na composição da microbiota intestinal, e como a microbiota intestinal é a guardiã da nossa saúde, quaisquer mudanças na sua função afetam a saúde em geral”, disse um dos investigadores principais do estudo, Wojciech Chrzanowski.

França prevê banir aditivo

Em 2017, a associação ambiental francesa Agir pour l’Environnement estudou a composição de 408 pastas de dentes e encontrou E171 em 271 delas. Mais recentemente, a ANSES ­– Agence nationale de securité sanitaire de l’alimentation, de l’environnement et du travail analisou 25 novos estudos sobre a toxicidade do E171, recomendando o uso de alternativas.

“No seguimento do trabalho de avaliação realizado em 2017, foi pedido à ANSES, em fevereiro de 2019, que revisse os mais recentes estudos de toxicologia oral do E171 e que atualizasse as suas recomendações. Após a conclusão desta perícia, a Agência concluiu que não se tinham obtido novas informações relativamente às incertezas sobre a segurança do aditivo E171”, pode ler-se no website da agência.

O governo francês planeia banir o uso do aditivo a partir de 2020.