Uma em cada três mulheres morre de doença cardiovascular

Uma em cada três mulheres morre de doença cardiovascular

As doenças cardiovasculares causaram a morte a 22 mil mulheres em 2007, segundo a Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC). No mesmo ano, estas patologias afectaram mais quatro mil mulheres do que homens, sendo actualmente consideradas mais fatais do que o cancro da mama.

É no sentido de contrariar esta tendência que várias sociedades e instituições intervêm no seio da população, sublinhando a importância dos rastreios e incentivando a uma mudança do estilo de vida. Exemplo disso é a campanha Mulheres de Vermelho, promovida pela FPC.
O acidente vascular cerebral e o enfarte do miocárdio, em conjunto, matam nove vezes mais mulheres do que o cancro da mama, revela a Fundação Portuguesa de Cardiologia. «A mulher, enquanto está em idade fértil está protegida, podendo comer excessos sem que a tensão arterial ou os níveis de colesterol subam. Mas depois paga com juros de mora», avisou o assessor médico daquela fundação, Luís Negrão.
Apesar destes problemas surgirem mais cedo nos homens, nas mulheres a doença surge mais tarde de uma forma «mais intensa e mais incapacitante», acrescentou o médico.
Um dos rostos da campanha em 2007, Idália Moniz, afirmou ao “DN” que se «pretende que as mulheres tenham mais cuidados com a alimentação, façam exercício físico e meçam os seus níveis de colesterol, gordura ou tensão arterial. O normal é só fazerem quando já tiveram algum percalço», referiu.
A secretária de Estado da Reabilitação que, ontem, fez exames no Ministério do Trabalho, em Lisboa, relembrou as visitas a centros especializados, não apenas pelo sucesso destes na recuperação de doentes, mas principalmente por «encontrar homens e mulheres cada vez mais novos em tratamento».
Na realidade, muitos destes doentes ficam total ou parcialmente incapacitados para trabalhar. Segundo dados do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, cerca de 71% dos portugueses com deficiência revela-se inactivo para trabalhar, apesar da existência de vários programas que visam a integração.
No que toca à alimentação, estão já a ser estudadas medidas, como a redução do teor de sal em alimentos e a restrição da venda de determinados produtos em máquinas.
No caso do desporto, Idália Moniz revela que apesar de haver «mais pessoas a praticar exercício físico, (…) o número é manifestamente insuficiente».
Quanto às críticas sobre a falta de espaços destinados ao exercício, a responsável é clara, quando afirma que «andamos permanentemente a deitar as culpas à falta de espaços, quando vemos em todo o mundo aglomerados de pessoas a praticar sem estruturas. Penso que falta aos portugueses um bocadinho de força de vontade», concluiu.