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“Uma boca equilibrada não precisa de contenções eternas”

Quase dez anos depois do lançamento do programa dos cheques-dentista para as crianças de sete, dez e 13 anos das escolas públicas, ainda existem muitos beneficiários que não utilizam estes vales

O Wilma Simões European Institute (WSEI) organizou o seu IV congresso internacional entre 26 e 28 de setembro. Este ano, o evento aconteceu paralelamente à XII reunião científica anual da International Functional Association. As atividades tiveram como palco o centro de convenções do VIP Art’s Hotel, no Parque das Nações, com a participação, entre congressistas e palestrantes, de mais de 25 países. Além das palestras oficiais, foram selecionadas pela comissão científica 11 comunicações orais e 39 posters, algo que a organização atribui ao “tema oportuno escolhido pela comissão científica”, que se focava na saúde da criança.

“De acordo com a Organização Mundial de Saúde, investir na saúde da primeira infância e consciencializar as famílias sobre a melhor forma de cuidar das crianças é a forma mais eficaz de promover o desenvolvimento e reduzir a desigualdade”, disse Carina Esperancinha, presidente da comissão organizadora e do WSEI. Para tal, foram apresentadas quatro sessões de discussão, nos dias 27 e 28, bem como um pré-curso, no dia 26, com particular destaque para a ortopedia funcional dos maxilares (OFM). A presidente da comissão organizadora e do WSEI respondeu a algumas questões sobre este tema.

O que é ortopedia funcional dos maxilares?

A ortopedia funcional dos maxilares é a especialidade que diagnostica, previne, controla e trata os problemas de crescimento e desenvolvimento que afetam as arcadas dentárias e suas bases ósseas. É um ramo da medicina dentária cujo objetivo é remover as interferências indesejáveis durante o crescimento e o desenvolvimento fisiológicos das estruturas do sistema estomatognático, atuando diretamente sobre o sistema neuromuscular que comanda o desenvolvimento ósseo dos maxilares, o qual pode levar os dentes a ocuparem as suas posições funcionais e estéticas. A OFM apresenta estratégias terapêuticas específicas que procuram, desde o nascimento, guiar a execução correta das funções do sistema estomatognático, para que o desenvolvimento craniofacial ocorra de forma adequada, prevenindo o aparecimento da má-oclusão.

Como é possível uma intervenção ao nascimento se o bebé nem tem dentes?

A família que espera um bebé deve procurar um profissional da OFM ainda durante a gravidez para receber orientações quanto a amamentação, respiração, introdução de alimentos sólidos e estabelecimento da correta mastigação. Isso propiciará a adequada estimulação que gerará diminuição na prevalência de alterações dentárias e ósseas.

É possível corrigir “dentes tortos” na dentição de leite?

Sim, a OFM preconiza abordagens terapêuticas assim que um problema for detetado. E isso é uma tendência internacional que ficou bem sedimentada durante o evento.

É possível atingir uma dentição perfeita sem necessidade de aparelhos fixos?

Sim, a OFM tem todos os recursos para finalizar casos com completo equilíbrio morfofuncional e, portanto, com grande estabilidade. Uma boca equilibrada não precisa de contenções eternas.

Mas depender da cooperação dos pacientes para usar um aparelho removível não é muito desgastante para os pais?

Se esses pais tiverem a consciência do problema que o filho apresenta e da importância da intervenção correta no restabelecimento da função, saberão conduzir o processo e motivar os filhos. Daí a relevância de se procurar o profissional que tenha a formação adequada para explicar tudo aos pais.

A OFM só funciona para crianças?

Não, é uma abordagem de recuperação de função que pode ser usada em qualquer idade. Mas na criança é insubstituível.

É necessário reforçar a importância de se mudar paradigmas e ampliar horizontes. O evento em Lisboa mostrou como a ciência internacional está focada nessa mudança e na busca de intervenções mais fisiológicas e estáveis.