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Uma boa higiene oral pode prevenir infecções cardíacas

Os investigadores do estudo, que, segundo o “Medical News Today”, envolveu 290 pacientes, analisaram inúmeras medidas de bacteremia, caracterizada pela presença de bactérias vivas que circulam na corrente sanguínea, durante três procedimentos dentários distintos, nomeadamente: escovagem dentária, extracção dentária de um dente com antibiótico para preventivo e extracção dentária de um dente com placebo.
Por conseguinte, os investigadores verificaram uma maior concentração de bactérias no sangue nos dois grupos de extracção, em oposição ao grupo da escovagem. Contudo, os valores de bacteremia neste último grupo aproximaram-se mais da extracção do que aquilo que se previa.
«Isto sugere que as bactérias entram, centenas de vezes ao ano, na corrente sanguínea, não apenas através da escovagem, mas também devido a outras actividades diárias, como a mastigação de alimentos», afirmou o autor principal do estudo, Peter Lockhart.
No ano passado, a American Heart Association alterou as suas recomendações, passando a aconselhar a toma de antibióticos preventivos antes da maioria dos procedimentos dentários no grupo mais susceptível de desenvolver endocardite – uma rara mas tratável inflamação do revestimento interior liso do coração, que ocorre quase sempre devido a uma infecção bacteriana. Agora, a associação recomenda a toma de antibióticos preventivos apenas nos pacientes que apresentem o risco mais elevado de vir a sofrer de um efeito prejudicial adjacente à endocardite.
Neste estudo, os investigadores procuraram determinar se os procedimentos dentários diários, como a escovagem, constituíam um risco semelhante de endocardite, como a maioria dos procedimentos dentários (extracções dentárias), em que podem ser prescritos antibióticos. Para isso, os investigadores recolheram seis amostras de sangue de cada paciente – antes, durante e no final destas intervenções – e analisaram as espécies bacterianas associadas à endocardite.
Por conseguinte, descobriram que, na maioria dos pacientes, a bactéria entra na corrente sanguínea durante a extracção dentária ou a escovagem e que pode ser encontrada no sangue, num pequeno número de casos, durante a primeira hora após a realização destes procedimentos.
«Enquanto a probabilidade da bactéria entrar na corrente sanguínea é mais baixa na escovagem, estes procedimentos dentários diários constituem um risco maior de endocardite simplesmente devido à frequência; ou seja, bacteremia através da escovagem diária duas vezes ao dia, durante 365 dias por ano versus uma ou duas consultas dentárias por ano envolvendo limpeza dentária ou obturação dentária ou outros procedimentos», explicou Lockhart, reitor do Department of Oral Medicine, do Carolina’s Medical Center.
«Para as pessoas que não se encontram em risco de desenvolver infecções como a endocardite, o curto prazo da bacteremia não constitui qualquer fonte de problema», acrescentou.
«Quando se interrompe os procedimentos de higiene oral, o número de doenças orais aumenta consideravelmente e progressivamente», alertou Lockhart. «São as doenças gengivais e as cáries dentárias que acarretam infecções crónicas e agudas, como os abcessos. São estes tipos de problemas que colocam os indivíduos em risco de bacteremia frequente e presumivelmente endocardite».
«A incidência de endocardite relacionada com bacteremia foi de 23% no grupo da escovagem dentária, 33% no grupo da extracção e dos antibióticos e 60% no grupo de extracção com placebo», disse Lockhart. Além disso, os investigadores também descobriram que a amoxicilina diminuiu significativamente a incidência de bacteremia decorrente de uma extracção, mas não a eliminou na sua totalidade.
Os investigadores encontram-se, agora, a analisar dados adicionais deste estudo que permitam determinar se existe uma correlação directa entre o nível de doenças dentárias e a probabilidade da bactéria da endocardite penetrar na corrente sanguínea.