Dentistas portugueses pelo mundo

“Tenho muito orgulho em dizer que em Portugal temos da melhor medicina dentária e dos melhores médicos dentistas do mundo”

“Tenho muito orgulho em dizer que em Portugal temos da melhor medicina dentária e dos melhores médicos dentistas do mundo”

Entrevista a Domingos Mamede, Codiretor do departamento de Implantologia do Advanced Oral Health Centre em Cambridgeshire e da Bupa, em Essex, Reino Unido

Qual a sua área de especialidade e porque escolheu essa área?

A minha área é a Implantologia e a Cirurgia Oral. Ao longo dos anos vim a perceber que dentro do amplo campo abrangido pela arte da medicina dentária, a área cirúrgica, por todos os desafios inerentes, era a que mais me apaixonava e continua a apaixonar.

Como surgiu a oportunidade de trabalhar no estrangeiro? Onde trabalha neste momento e qual a sua função?

Em 2009 tinha 25 anos e uma vontade enorme de explorar o mundo, tanto a nível pessoal, como profissional. Queria crescer como ser humano e como clínico e o Reino Unido ofereceu-me a oportunidade de continuar os estudos ao mesmo tempo que podia trabalhar num mercado diferente. Neste momento codirijo o departamento de implantologia do Advanced Oral Health Centre em Cambridgeshire, e da Bupa em Essex.

O que o fez tomar a decisão de sair de Portugal?

Como referi na questão anterior, e em muito despoletado pela experiência que tive em Itália no programa Erasmus, havia em mim uma ânsia de ir mais além, pessoal e profissionalmente.

Quais as diferenças que encontra entre os métodos de trabalho nos dois países? Ou seja, como é um dia de trabalho normal?

Inglaterra é muito forte em investigação e desenvolvimento, mas no mundo real sem dúvida que nós portugueses somos muito melhores. Temos uma melhor formação clínica e científica e como seres humanos somos mais empáticos e mais pragmáticos.

E embora tenha treinado em países como Estados Unidos, Inglaterra, Peru e Itália, tenho muito orgulho em dizer que em Portugal temos da melhor medicina dentária e dos melhores médicos dentistas do mundo. Um dia de trabalho normal passa por receber pacientes referidos por colegas, interna ou externamente, diagnosticar e fazer planos de tratamento que são discutidos com o resto da equipa, promovendo uma medicina dentária interdisciplinar, assim como são também passados a fazer tratamentos e/ou cirurgias, e follow ups com os pacientes.

Como é viver fora de Portugal? Conseguiu adaptar-se bem?

Costumo dizer que a primeira vez que emigrei foi quando fui trabalhar e viver em Lisboa, pois o que mais me custou foi ter deixado de conviver diariamente com a família e os amigos mais próximos que ficaram no Porto. Depois em Inglaterra a adaptação foi fácil. Os ingleses são um povo muito educado e acolhedor, e sabem receber bem. São uma sociedade muito meritocrata e sempre me fizeram sentir que o meu crescimento seria determinado pelo meu próprio mérito, esforço e dedicação, nada mais.

Quais os seus planos para o futuro?

O meu plano passa por continuar a crescer com base na qualidade do meu trabalho e, se possível, ser reconhecido por fazer o melhor que posso e que sei, tanto pelos pacientes, como pelos meus pares.

Equaciona voltar a Portugal?

Quanto mais tempo passo no estrangeiro mais percebo a importância das nossas raízes e Portugal, que outrora esteve em segundo plano enquanto experienciava ser um cidadão do plano, começa a chamar mais alto. Resta agora saber se será um retorno a curto, médio ou longo prazo.

Se sim qual o trabalho/projeto gostaria de desenvolver?

É muito subjetivo, mas sem dúvida o melhor seria um projeto em que pudesse aliar o que de melhor aprendi nestes mais de nove anos em Inglaterra, com o que de melhor Portugal tem para oferecer.

Que conselhos dá aos recém-licenciados com dificuldades em ingressar no mercado de trabalho?

Vindo de alguém que fez a “antiga” licenciatura de 6 anos, pré-Bolonha, penso que o mais importante é perceber e aceitar que o Mestrado Integrado em Medicina Dentária mais não é do que uma licença básica que nos permite ir atrás da excelência através de pós-graduações e de formações que nos permitam ser o melhor que possamos para os nosso pacientes, num século XXI de uma medicina dentária que é cada vez mais subespecializada, superespecializada e interdisciplinar. Respeitando sempre o passado e abraçando sempre o futuro.

Qual o seu sonho?

Continuar a ser feliz, rodeado daqueles que amo, e sentir a bênção que é ter a possibilidade de, por via do meu treino e formação, todo e cada dia poder melhorar a vida de alguém.