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Médicos Dentistas

Stresse e pressão financeira na origem de má qualidade na obturação

tratar cárie Saúde Oral

Um novo estudo relacionou a qualidade da obturação com o nível de stresse que os médicos dentistas sentem ao executar o procedimento e aos valores cobrados. Alguns dentistas relataram que “suficientemente bom” era muitas vezes um objetivo mais realista do que a qualidade ótima, apontando a complexidade da obturação e o tempo insuficiente reservado para este procedimento devido à tarifa de tratamento associada, entre outras razões.

De acordo com o estudo, realizado no âmbito de uma tese de doutoramento na Sahlgrenska Academy, apenas metade de todas as obturações efetuadas nos serviços dentários públicos da Suécia têm boa qualidade. Além disso, mais de um terço das obturações revela sinais de periodontite apical, que podem originar sintomas agudos como dor e edema e pode até alastrar e constituir risco de vida.

No intuito de compreender as razões que levam os dentistas a aceitar obturações tecnicamente fracas, Lisbeth Dahlström, investigadora sénior na Sahlgrenska Academy, levou a cabo entrevistas de grupo com 33 dentistas dos serviços dentários públicos da Suécia. Os resultados demonstraram que o tratamento era frequentemente associado a sentimentos negativos, como stresse e frustração, e que era comum que o tratamento fosse executado com uma sensação de perda de controlo devido às dificuldades técnicas percecionadas.

Outra razão que levava os dentistas a aceitar menor qualidade era que o tempo destinado ao tratamento, de acordo com o montante cobrado, era insuficiente, relataram os participantes. “O dentista encontra-se perante um dilema: voltar atrás no tratamento para otimizar a qualidade ou prestar cuidados dentro do quadro da compensações previstos e, desta forma, arriscar aceitar uma obturação incompleta”, explicou Dahlström.

No que se refere à qualidade, os dentistas entrevistados relataram incerteza quanto ao que é uma qualidade razoavelmente aceitável. Segundo Dahlström, muitas vezes os dentistas declaram que o “suficientemente bom” era mais realista do que a qualidade ótima. Contudo, apesar das dificuldades vividas, o estudo também mostrou que os dentistas querem prestar bom tratamento e que estão muito preocupados com os seus pacientes, afirmou o investigador.

Para melhorar a qualidade das obturações, Dahlström sugeriu medidas como: mais oportunidades para prolongar a formação, tempo para debater e trocar experiências no local de trabalho, bem como investimento em equipamento que melhora o tratamento, encurta o tempo necessário e aumenta a visibilidade.

Na Suécia são realizadas aproximadamente 250,000 obturações por ano e estima-se que existem pelo menos 2,5 milhões de dentes obturados com periodontite apical. Dahlström defendeu a sua tese, intitulada “On root-filling quality in general dental practice”, a 4 de março.

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