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Ricardo Almeida: Trabalhar na tábua

Ricardo Almeida: Trabalhar na tábua

Médico dentista e surfista, Ricardo Almeida especializou-se na substituição, recuperação e reconstrução de dentes e na destruição das ondas. Sempre a manobrar as tábuas, na Malo Clinic e oceanos de todo o mundo.

Nascido em Setúbal, há 33 anos, Ricardo Almeida, director clínico da Malo Clinic Coimbra, começou por estudar na área de Design até ao 9º ano, decorrente do seu talento para o desenho. «Depois decidi seguir a área de Saúde, de que também gostava», lembra o médico dentista. Nesta altura surge outra mudança nos seus interesses. «Treinei kickboxing durante oito anos até que tive contacto com o surf através de amigos e porque vi o filme “Point Break – Ruptura Explosiva”, com Patrick Swayze no papel de um viciado nos dias sem fim a surfar». Estavam feitas as suas escolhas definidoras de vida.

Ainda no ensino secundário, Ricardo Almeida conseguirá destacar-se nas disciplinas de Biologia e Química. «Quando cheguei ao final do curso decidi concorrer a Medicina Dentária». Em simultâneo, assume a prática do surf junto dos pais, o que foi relutantemente aceite pela família, uma vez que «na altura o surf era um desporto conotado com marginais», como reconhece. «A primeira dificuldade que tive foi comprar uma prancha de surf. Aproveitei umas férias de Verão e fui trabalhar nas vindimas numa adega, uma vez que os meus pais estão relacionados com os vinhos». Uma prancha “Pólen”, marca portuguesa, que Ricardo Almeida ainda guarda.

Nessa altura o jovem estudante de Setúbal ia surfar para Tróia, Arrábida e Comporta, uma vez que «não tinha carro para ir para a Costa da Caparica», lembra, para revelar que «era ali que passava os dias, quando não tinha aulas ou… faltava às aulas». Na escola havia o grupo dos surfistas, um bocadinho mais rebelde. Uma  tribo com um calão próprio que lia a revista “Surf Portugal” e tinha como referência o surfista português Dapin.

O surf era também a cultura associada. «Aprendi a surfar com os amigos. Vestia roupa larga e ouvia ska, uma mistura de reggae com punk, de que a minha banda preferida eram os NOFX».

Fora de competição

Depois de um ano a melhorar a média das notas escolares, Ricardo Almeida acaba por ingressar na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa em 1995. «Durante o curso não gostei do ambiente hospitalar quando fui inserido no Hospital de Santa Maria. Um aluno que gosta de Medicina Dentária não aprecia a organização, horários, “bancos” durante a noite, corredores e urgências». Só quando o terceiro ano termina e passa para a Faculdade de Medicina Dentária é que o jovem surfista passa a ter contacto com Medicina Dentária e a gostar do ambiente universitário. Os professores que mais o marcam são os professores assistentes de Dentisteria, Amorim Afonso, e de Prótese, Moura Guedes, que virá a reencontrar na Malo Clinic. «É uma pessoa a quem devo a maior parte da minha evolução», admite, incluindo também Paulo Malo, o implantologista e professor fundador da Malo Clinic. A especialidade de Prostodontia surge no quinto ano do curso, depois de Ricardo Almeida ter tido contacto com a clínica do grupo sedeado em Lisboa, onde assistiu a consultas e fez cursos.

Nesta altura, fazia surf duas a três vezes por semana e começou a ir para a Costa Alentejana, Costa da Caparica e Ericeira e a participar em campeonatos inter-regionais. «A partir do momento em que entrei para a faculdade, decidi não enveredar pela competição. O curso de Medicina Dentária não me permitia entrar no campeonato nacional, embora tivesse nível para competir». Em contrapartida, Ricardo Almeida acaba por se distinguir nas notas e médias do curso, o que também contribui para o convite da Malo Clinic.

Clínica sem imposições

Já em 2001, terminado o curso, Ricardo Almeida integra a Malo Clinic Lisboa. «Apostaram na minha formação e definiram-me uma área para a qual tinha mais aptidão por ser muito prática e manual», lembra. A partir daí sucedem-se os cursos, quer na Malo Clinic quer no estrangeiro.

A clínica onde Ricardo Almeida exerce afirma-se como o maior centro de implantologia e reabilitação oral fixa do mundo, bem como pólo internacional de excelência na formação avançada de profissionais da saúde oral. Líder na colocação de implantes imediatos e próteses dentárias, foi a equipa de investigação da Malo Clinic que desenvolveu a técnica cirúrgica “All-on-4” e a prótese fixa “Malo Clonic Bridge”, ambas mundialmente reconhecidas como um avanço em reabilitação oral fixa para desdentados totais. «É um sonho para qualquer jovem médico dentista trabalhar na Malo Clinic porque permite trabalhar com os melhores materiais, aposta na formação e não impõe tempos de trabalho. Dão-nos um doente para as mãos sem imposições de facturação ou tempo de trabalho. A aposta é na qualidade», esclarece Ricardo Almeida, para adiantar que «passaram já por aqui 3 mil dentistas de todo o mundo, o que significa que a maior parte dos dentistas de referência a nível mundial já cá estiveram e tivemos contacto com eles em palestras», assegura o jovem médico dentista.

O surf continua a ser algo de que Ricardo Almeida precisa para manter o seu equilíbrio, um desporto de que não se consegue manter afastado. «Quando o trabalho me exige estar ausente duas ou três semanas, ou não há vento e ondulação para fazer surf, o trabalho ressente-se e a primeira pessoa que nota a tensão é a minha assistente, que me aconselha a tirar uma tarde para fazer surf. O mesmo acontece com a minha namorada, que já foi surfista de competição».

Directo para o mundo

Um dos desafios mais interessantes que Ricardo Almeida teve que enfrentar surgiu quando estava nas Maldivas, no Oceano Índico, a praticar surf. Paulo Malo telefona a pedir-lhe que daí a duas semanas faça uma apresentação, numa transmissão directa, mundial, para 10 mil médicos dentistas, integrada no “Nobel Biocare World Tour – Dresden 2006”. «Cheguei a Portugal, identifiquei um caso, escolhi a paciente que me acompanhou e acabei a apresentar o caso clínico em directo», recorda, referindo-se à apresentação “Live: Natural tooth solutions using Procera crowns and bridges” que fez na Alemanha. «Tenho acesso a casos muito complexos, de reabilitação total, que me dão a vantagem de poder dominar técnicas sempre em evolução», esclarece. Com efeito, as quatro centenas de colaboradores da Malo Clinic fazem cerca de 6 mil implantes e 30 mil coroas por ano.

«A nossa dedicação tem que ser total para satisfazer os nossos pacientes, que são de uma classe média-alta. O paciente não se pode queixar de mais do que de um pormenor», uma qualidade de serviço que justifica o crescente sucesso e desenvolvimento da Malo Clinic em apenas 13 anos de existência. Actualmente o grupo de clínicas de medicina dentária já expandiu o seu know-how e serviços a seis países europeus e à China, Marrocos, Angola, Brasil, Estados Unidos e Austrália. «Estas clínicas são controladas a partir de Lisboa com pessoas destacadas da Malo Clinic Lisboa. A minha função também é a de formar esses médicos dentistas», diz Ricardo Almeida.

A opinião favorável do especialista em Prostodontia estende-se igualmente à medicina dentária praticada em Portugal. «Temos muito bons profissionais. A Ordem dos Médicos Dentistas tem feito um bom trabalho e temos uma medicina dentária de ponta», assegura, para apontar que «a condição económica dos portugueses ainda é adversa ao aproveitamento deste avanço o que impede que muitos médico dentistas tenham maior prática clínica», lamenta.

Tubarão na onda

Menos positivas são algumas das consequências da prática de surf, nomeadamente para a saúde oral. «Com frequência, muitos surfistas têm fracturas dentárias devido a embates na prancha ou pedras. Felizmente nunca tive nenhuma», ressalva. O perigo de ataque de tubarões também está presente em alguns dos spots. O ataque mais comum, denominado “hit and run”, ocorre mais frequentemente nas zonas de arrebentação com surfistas. As provocativas e falsas vibrações do surf e as enganosas atracções visuais, podem levar o tubarão a confundir o surfista ou parte dos seus membros com as suas presas. «Já tive, por duas vezes, contacto com tubarões. Uma das vezes em Cabo Verde, onde a regra é a de “seis horas fora de água”, depois das seis da tarde e antes das seis da manhã». É a hora de ponta dos tubarões, quando estes se aproximam da costa. «Veio um tubarão na minha onda, embora houvesse muitos surfistas e a probabilidade de me atacar fosse menor», explica. A outra situação, mais complicada, aconteceu nas Maldivas, há três anos. «Estava a surfar com o meu afilhado e estávamos só os dois, uma vez que os outros surfistas ficaram no barco.  Apareceu um tubarão e aí a probabilidade de atacar era muito maior. Havia uma corrente de cardumes e o tubarão andava a caçar peixes. Recolhemos de imediato ao barco», diz, ainda agora com alívio, referindo que «a dentição do tubarão é deveras impressionante. A capacidade de rasgar dos seus dentes, é incomparável à um canino nosso», detalha Ricardo Almeida. Os dentes triangulares dos tubarões, afiados e extremamente eficientes para agarrar e cortar, não possuem raiz. As várias fileiras de dentes de reposição, permitem que, quando um dente é perdido, o posterior se mova para ocupar o seu lugar. «São pequenas lâminas», confirma o jovem médico dentista e surfista. Nada que o impeça de voltar a fazer surf no México, Indonésia, Cabo Verde, Brasil e Marrocos. «Não vou deixar de fazer surf e espero vir a praticar até uma idade avançada. Quero continuar a fazer surf uma vez por semana e a conciliar com o trabalho». No âmbito profissional, Ricardo Almeida pretende continuar a «absorver as novas tecnologias todas e a estar cada vez mais presente na formação de novos médicos dentistas para exportar para as Malo Clinic no exterior».