Higiene Oral

Portugueses criam escova dentária para crianças com malformações na cavidade oral

Portugueses criam escova dentária para crianças com malformações na cavidade oral

Os portugueses Rita Rodrigues, Conceição Manso (Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Fernando Pessoa), Maria Helena Fernandes (Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto), António Bessa Monteiro (cirurgião pediátrico do Hospital dos Lusíadas) e Joaquim Gabriel Mendes (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), e Rowney Furfuro (da Clínica Compor), desenvolveram uma escova dentária especial para pessoas com malformações na cavidade oral, em particular fenda lábio-palatina (FLP). No site da Universidade Fernando Pessoa pode ler-se que a escova dentária foi testada em 60 crianças com FLP “com resultados muito positivos”.

A Cleft Toothbrush, que já possui registo de patente provisória, está já à procura de um parceiro que garanta a sua produção e colocação no mercado e resulta de uma ideia da investigadora da UFP Rita Rodrigues durante a investigação para o seu doutoramento em odontopediatria.

“Eu gostava que fosse algo útil, mas que tivesse valorização e impacto social”, revela a investigadora portuguesa, acrescentando que quis, assim, “tentar fazer alguma coisa para aqueles pais que já pensam em tantas coisas, na fenda, na terapia da fala, na alimentação, na deglutição, na psicologia, na parte estética, onde a parte da medicina dentária fica um pouco descuidada”.

A Universidade Fernando Pessoa revela ainda que, no âmbito deste projeto, foram desenvolvidos 60 protótipos por uma empresa suíça – Curaprox. “Trata-se de uma peça ou adaptação que é acoplada na cabeça da escova de dentes convencional e permite uma higienização da área da fenda, uma zona de difícil acesso a indivíduos com FLP, e mantém a funcionalidade da escova noutras áreas. As escovas que existem no mercado causam incómodo na fenda por se tratar de uma zona muito sensível e não serem adaptadas às necessidades dos indivíduos, além de não alcançarem a zona mais profunda da fenda, não permitindo assim uma higienização correta do local da fenda”, acrescenta.

A peça tem a forma de uma chama e cerdas de diferentes tamanhos em 360º e foi criada de forma a garantir “a desorganização da placa bacteriana sem causar lesão nos tecidos adjacentes, permitindo assim reduzir a inflamação dos tecidos. O resultado foi muito positivo, pois para além de ter um impacto positivo na saúde, levou também a um aumento da confiança e da felicidade nas crianças e nas suas famílias, que tinham medo de higienizar a zona da fenda”, acrescenta a UFP.

De acordo com os responsáveis pelo desenvolvimento da escova dentária, nascem, anualmente, cerca de 180 crianças com esta malformação em Portugal.