Periodontite: Antibióticos reduzem necessidade de cirurgia adicional

Periodontite: Antibióticos reduzem necessidade de cirurgia adicional

A administração de amoxicilina e metronidazole imediatamente após a cirurgia periodontal pode reduzir, de forma significativa, a necessidade de uma cirurgia adicional, revelou uma equipa de investigadores da University of Geneva School of Dental Medicine.

Durante o encontro da International Association for Dental Research (IADR) que decorreu em Toronto, no Canadá, Norbert Cionca, do departamento de Periodontologia naquela universidade, revelou os resultados de um estudo efectuado a pacientes com periodontite crónica.
O objectivo era o de determinar se os antibióticos acentuam os efeitos de um mês completo após debridamento e reduzir a necessidade de uma cirurgia adicional.
«Têm vindo a ser realizados inúmeros estudos que examinam o efeito de diferentes regimes antibióticos de acordo com parâmetros clínicos e microbiológicos de doenças periodontais», explicou Cionca ao “DrBicuspid.com”, observando que «o problema é que algumas dessas pesquisas não foram realizadas de forma aleatória ou controlada, os antibióticos administrados foram diferentes entre as várias investigações e a definição de doença periodontal era divergente de estudo para estudo».
No estudo efectuado pela referida instituição universitária, 47 pacientes, com idades compreendidas entre os 25 e os 70 anos, foram acompanhados durante seis meses. A cada paciente foi efectuado um diagnóstico precoce de periodontite crónica adulta, apresentando, no mínimo, quatro dentes com profundidade da bolsa periodontal, no mínimo, de cinco milímetros, perda de fixação de pelo menos dois milímetros e evidência radiográfica de perda óssea. Cerca de 40 pacientes foram sujeitos a debridamento periodontal durante um mês. Dois dias após a cirurgia, 20 indivíduos iniciaram um regime de tratamento composto por 500 mg de metronidazole e 375 mg de amoxicilina, três vezes ao dia durante sete dias. Os outros 20 foram administrados com placebo.
«A combinação de medicamentos anti-microbianos possuem um amplo espectro de actividade em relação a um único agente», acrescentou Cionca.
Para os pacientes que não toleram amoxicilina foi aconselhado o uso de cefuroximaxetil ou ciprofloxacina.
Após seis meses, a profundidade da bolsa periodontal, no grupo testado com antibióticos, estava significativamente mais baixa em relação ao grupo de controlo. Um pequeno número de pacientes, sobretudo os que integraram o grupo testado, experimentou alguns efeitos adversos, como náuseas, vómitos, diarreia.
Mais notável, segundo Cionca, foi o facto de dois membros do grupo, a quem tinha sido administrado placebo, terem desenvolvido abcessos periodontais e outros dois sofreram perda dentária, enquanto que nenhum indivíduo do grupo administrado com antibióticos não revelou nenhum daqueles problemas.
«É evidente que o uso daqueles antibióticos melhora significativamente os resultados clínicos de um debridamento periodontal não cirúrgico e reduz a necessidade de terapia cirúrgica adicional», concluiu Cionca.
Por agora, Cionca e seus colegas estão a desenvolver outro estudo para analisar os intervalos de tempo relativos à administração de antibióticos durante a terapia cirúrgica.