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Pasta dentífrica demasiado dispendiosa para populações mais carenciadas

Pasta dentífrica demasiado dispendiosa para populações mais carenciadas

As pastas dentífricas com fluoretos são proibitivamente dispendiosas para as populações mais carenciadas do mundo, de acordo com um estudo publicado no jornal on-line “Globalization and Health”.

Segundo os investigadores, as populações carenciadas dos países em desenvolvimento têm o menor acesso a pastas dentífricas de preço considerado mais acessível.
A equipa, que incluiu Ann Goldman da School of Public Health and Health Services, da George Washington University, Robert Yee e Christopher Holmgren, do World Health Organization Collaborating Centre da Radboud University Medical Centre, nos Países Baixos, e Habib Benzian da FDI World Dental Federation, compararam a relativa acessibilidade da pasta dentífrica com fluoretos, num total de 48 países.
De facto, a globalização tem vindo a incutir uma dieta ocidentalizada, rica em hidratos de carbono e açúcares refinados, sendo esse um dos factores responsáveis pela maior prevalência da decadência dentária nos países em desenvolvimento, conduzindo a uma má nutrição e qualidade de vida mais reduzida. Acresce que o custo e a relativa indisponibilidade de cuidados de saúde dentários nestes países significa que as cáries e outros problemas normalmente não são tratados.
De facto, a pasta dentífrica com fluoretos é o método mais utilizado na prevenção da cárie dentária. Contudo, apenas 12,5% da população mundial beneficia dela. Os investigadores acreditam que o baixo uso da pasta dentífrica se prende com o preço, que é demasiado alto em algumas partes do mundo. É ainda de salientar que este é o primeiro estudo que quantifica a acessibilidade das pastas dentífricas por todo o mundo.
Os questionários que visaram o custo das pastas dentífricas com fluoretos foram completados pelas associações dentárias, organizações dentárias não governamentais e por indivíduos de todo o mundo. O custo anual dispendido com pastas dentífricas por um só individuo foi calculado, bem como a proporção do consumo doméstico e o número de dias de trabalho necessários para cobrir aquele custo.
Os resultados revelaram que em grupos com diferentes rendimentos, em vários países, à medida que o rendimento per capita diminui, a proporção de rendimento necessário para adquirir um ano de abastecimento de pasta dentífrica aumentou, sendo as populações mais carenciadas as mais afectadas.
«Devido à importância da pasta dentífrica com fluoretos na prevenção da doença oral, devem-se tornar os preços mais acessíveis para as populações mais carenciadas», considerou Goldman.
Os autores do estudo sugerem que tal pode ser concretizado ao isentar as pastas dentífricas de impostos, encorajar a fabricação local e persuadir os fabricantes multinacionais a implementar diferentes políticas de preço nos países considerados mais carenciados.

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