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Orlando Monteiro da Silva: Responsabilidade acrescida

Orlando Monteiro da Silva: Responsabilidade acrescida

O XVI Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) ficará marcado na história da Medicina Dentária portuguesa. Uma «nova era» de colaboração entre o Estado – através do Ministério da Saúde (MS) e a Direcção-Geral da Saúde (DGS) – e a OMD, que abre caminho a um maior acesso da população aos cuidados médico-dentários, foi formalmente anunciada durante a sessão solene de abertura deste evento, sendo que o protocolo viria a ser assinado um dia mais tarde.

Orlando Monteiro da Silva comentou os avanços obtidos, mas sublinhou a responsabilidade acrescida que os médicos dentistas irão ter na implementação do novo programa e no peso que estes terão para que esta iniciativa seja ainda mais alargada de futuro.

SAÚDE ORALDurante a sessão solene de abertura do congresso falou de «uma nova era» com a DGS… as negociações entre a OMD e o Ministério da Saúde ajudaram a este virar de página?

Claro que isso foi fundamental, umas coisas levaram às outras. Como já demos notícia à classe, questões fundamentais como o licenciamento das clínicas, que se num processo de revisão, fazem precisamente com que possamos apelidar esta nova fase, que estou certo que se vai concretizar. Nós, Ordem, temos cumprido o nosso papel que é, no fundo, tentar contribuir para a resolução dos problemas com que a classe se depara no dia-a-dia e o licenciamento era um deles.

Outro aspecto é o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO). Embora tenha ficado decidido para 2008 que se irá registar um aumento de 60 para 80 mil crianças que serão alvo do programa, também vamos colaborar numa remodelação profunda do programa, ainda em 2008, e o protocolo que assinámos com a tutela prevê, para além de outros aspectos, de uma forma directa, que a Ordem vai ser muito mais consultada, muito mais ouvida, muito mais levada em conta para este programa do que tem sido até agora. Isso também é extremamente importante para nós.
Tivemos também uma colaboração muito grande, na última reunião europeia do Chief Dental Officers, promovida pelos Governos. Diria, neste momento, que trabalhamos de forma bastante próxima e vamos continuar a fazê-lo porque, como é óbvio, estes programas agora anunciados exigem um acompanhamento próximo da Ordem com vista ao sucesso da sua implementação já para o primeiro trimestre de 2008.

O Dr. Orlando teve um desempenho fundamental nestes avanços…

Estes avanços foram conseguidos pela Ordem, não gosto de personalizar estas situações. O facto é que a Ordem foi efectivamente pioneira nessa matéria, pois conseguiu efectivamente chegar a um acordo com o Governo neste âmbito, que abre inúmeras portas e representa uma oportunidade enorme para a população e para os médicos dentistas. Trata-se de um acordo com condições muito favoráveis em termos dos compromissos assumidos. É um programa que foge totalmente de outros tipos de programas que existem, e em que se tenta desburocratizar, através de uma simplificação enorme de processos.

É, efectivamente um marco histórico na Medicina Dentária portuguesa, algo verdadeiramente inédito e que é realçado não só a nível nacional como pelos representantes que estiveram em Portugal e que, ao tomarem conhecimento do que foi conseguido pela Ordem, foram unânimes a felicitar-nos e ao Governo.

Claro que o que foi conseguido partiu do trabalho da Ordem mas também da vontade política de um Governo e do ministro da Saúde, concretamente, da percepção que ele teve como governante de aproximar a Medicina Dentária, pelo menos nesta fase, de alguns grupos especiais. Estou convencido de que se houver um feedback positivo como espero que haja deste programa, ele só tenderá a ser mais alargado. E aí também depende de nós, médicos dentistas, darmos o nosso melhor neste programa.

Sublinho ainda que, para esta mudança também contribuiu a percepção da Comunicação Social e da opinião pública da importância destas medidas, que cumprem um desígnio social.

Que comentários faz aos grupos introduzidos neste programa?

Em primeiro lugar, no caso das grávidas, os 120 euros que cada uma vai ter disponíveis nas consultas são extremamente importantes, não só pela quantia envolvida mas porque o médico dentista é que vai definir o que é que a pessoa precisa de fazer. Obviamente que o que estiver fora desses três cheques faz parte da relação privada entre o médico dentista e o paciente.

Mas a gravidez é uma situação em que a mulher já de si, e todos os dados mostram isso, está particularmente disponível para a Medicina Dentária e para melhorar a sua saúde, por alterações diversas que surgem durante esta fase, portanto é uma época extremamente importante para se fazer passar determinadas mensagens em termos de Medicina Dentária, para fidelizar as doentes, os futuros filhos, e até mesmo a restante família, pois a mulher exerce uma influência nessa área, daí que se trate de um grupo estrategicamente importante para ter o máximo de cuidado e atenção na prestação de cuidados de Medicina Dentária no âmbito deste programa.

Por outro lado, os idosos são um grupo mais difícil, seja por dificuldades de locomoção ou por situações diversas que são comuns da velhice mas penso que da forma como o programa vai ser implementado e pela informação que será prestada nos centros de segurança social, etc, estou convencido também que este grupo, pelas grandes carências que apresenta, vai aderir a este programa. E contando com um plafond anual de 80 euros para colsultas mais uma comparticipação de 250 euros para aquisição, adaptação e reparação de próteses dentárias removíveis a cada dois anos, é bastante e prova que é possível fazer algumas coisas.

Realço aindia que tudo isto tem uma perspectiva evolutiva, foi dado um passo enorme mas que vai ser complementado com outros. Esta porta, que estava fechada, agora entreabriu-se mas poderá ser muito mais aberta. Diria que poderá ser quase escancarada nos próximos tempos se, em 2008, tudo correr bem e se houver um sentir que isto é realmente importante, como estamos certos que é, e em que a população reconhecerá este tipo de iniciativa.

– Nos últimos dias foi bastante mencionada na Comunicação Social a questão do médico dentista de família…

Esta questão já tinha sido levantada há bastante tempo e sempre foi referida no tipo de abordagem que adoptámos, principalmente em relação às crianças; já era, inclusivamente, preconizada no anterior programa de promoção de saúde oral mas nunca foi implementada.

A lógica da Medicina Dentária Familiar é de acompanhamento da criança até aos 16, 18 anos, num sentido de responsabilização do médico dentista, dos pais, da criança, e do adolescente mais tarde, em relação ao seu próprio estado de saúde porque é fundamental na obtenção de resultados em termos de promoção de saúde e de prevenção da doença.

A Medicina Dentária Familiar pretende igualmente envolver a grávida, o que já está a ser um pouco feito neste programa, pois ao integrá-la vamos envolver as crianças mais tarde. Trata-se de uma relação biunívoca que permite trazar para a órbita da Medicina Dentária todo o espectro familiar. É nesta perspectiva que encaramos a Medicina Dentária e é assim que ela deve ser vista, particularmente, nos grupo mais jovens.

Actualmente só de forma um pouco teórica é que esta questão é contemplada no programa porque efectivamente não há, na nossa óptica, uma lógica de seguimento da criança, da mãe já durante a gravidez até a esta idade. Está prevista mas nunca foi aplicada na prática e a nossa ideia, nesta revisão que vamos ter pela frente, é introduzir esse conceito não só na teoria mas na prática.

Qual o balanço que faz desta edição do congresso da OMD?

O Dr. Marcus Veiga teve uma organização particularmente difícil, pois 2006 foi um ano eleitoral e, de uma forma sensata, não quisemos tomar decisões que viessem a comprometer irreversivelmente uma futura direcção da OMD, principalmente quando a própria filosofia, a própria existência do congresso era questionada no âmbito da campanha eleitoral.

Nesse contexto, o Dr. Marcus Veiga tomou conta do congresso num período particularmente difícil, e com um atraso de cerca de três meses mas, apesar dessas dificuldades todas, conseguimos ter mais inscrições de médicos dentistas, ter um maior êxito na área comercial em relação a edições anteriores segundo o que nos foi dito pelas pessoas que lá estiveram, disponibilizámos mais tempo para que os visitantes pudessem ir à Expo-Dentária, permitindo esta fórmula de sucesso que é complementar a vertente científica com a vertente comercial.

Numa filosofia com esta chancela da Ordem e com a credibilidade do nosso programa científico, que obviamente aproxima do congresso pessoas de referência dentro da profissão, e a parte comercial nesta parceria que julgo que é mutuamente proveitosa, permite-nos para oferecer às pessoas um congresso de qualidade a um preço irrisório, e estamos gratos à indústria e aos patrocinadores que connosco colaboram e tornam possível que isto assim seja. Esta colaboração permite que possamos cumprir a nossa missão porque transmitimos os proveitos dessa colaboração aos médicos dentistas, nas condições que disponibilizamos a vários níveis no congresso, possibilitando, que mais médicos dentistas possamos ter, mais qualidade na formação dos palestrantes que temos e os comerciais que estão presentes possam fazer as suas legítimas actividades e sentir-se recompensados.

Este foi mais um grande teste para o nosso congresso e do qual nos saímos muitíssimo bem, subimos em relação a tudo, o que nos permite um fôlego diferente para que no próximo congresso, que se vai realizar em Santa Maria da Feira, continuarmos na mesma senda e introduzir algumas modificações na filosofia do congresso. Não o iremos fazer em termos dos princípios gerais mas vamos adaptar alguns pormenores, que julgo que vão ainda beneficiar mais, nomeadamente o sector comercial, que vai ter mais oportunidades de negócio. Estou absolutamente certo que as duas edições que restam neste mandato, em Santa Maria da Feira e, em 2009 em Lisboa, vão dinamizar ainda mais esta parceria estabelecida com a Indústria.

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