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Orlando Monteiro da Silva: O novo bastonário

Orlando Monteiro da Silva: O novo bastonário

Eleito para o seu quarto mandato à frente da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva traça-nos o panorama futuro para a OMD. 

Saúde Oral – Cerca de 62% dos médicos dentistas votantes elegeram-no como novo bastonário. Foi uma vitória difícil ou já esperava?
Orlando Monteiro da Silva – Quando se concorre a umas eleições temos a expectativa de ganhar. Não é do meu feitio concorrer a umas eleições só para marcar presença. A decisão foi dos médicos dentistas e ela é relativamente insondável, embora houvesse à partida um conjunto muito alargado de colegas que me fizeram sentir a pertinência da minha candidatura, que mais tarde foi co-substanciada formalmente num leque de apoiantes públicos e isso, obviamente, fez-me sentir que havia um grande apoio da classe ao projecto. Só o resultado das eleições falou por si.

SO – Esperava mais? Menos?
OMS – Foi um resultado expressivo. Foi uma vitória inequívoca. Obviamente que por 1 se ganha, por 1 se perde, mas com esta diferença [1436 votos na Lista A de Orlando Monteiro da Silva vs. 879 votos na Lista B de Fernando Guerra] dá uma legitimidade mais que suficiente para que o projecto da Lista A possa ser colocado em prática nestes 3 anos. No dia a seguir às eleições acabou-se a Lista A e a Lista B. Estamos desejavelmente todos unidos, a falar a uma só voz, a bem da medicina dentária e dos desafios que ela tem que enfrentar que são grandes e complicados. Todos seremos pouco para os levarmos a cabo.

SO – Votaram mais de 2600 médicos dentistas inscritos na OMD. Foi o acto eleitoral mais concorrido. No entanto, a OMD representa cerca de 6600 dentistas. É pouco ou isto é um retrato do que é o nosso país?
OMS – É um pouco o retrato do que são organizações e Ordens similares. Nas outras Ordens profissionais, já comentei isso até com colegas de outras Ordens, quando há participações acima dos 15% é considerado uma grande vitória. Não nos podemos acomodar a isso e este ano conseguimos uma participação eleitoral na ordem dos 40%. Houve mais intenção de voto do que aquela que está expressa, e creio que terá ultrapassado os 50%, só que por via do regulamente eleitoral – é preciso, por exemplo, ter a quotização paga até ao 3º trimestre anterior à data das eleições – afasta algumas pessoas. Mesmo assim os 40% com os requisitos necessários ou a deslocação a cada uma das 5 Assembleias Eleitorais, que não são assim tantas quanto isso, penso que a participação eleitoral foi muito assinalável. A maior de todas.

SO – Nos anteriores órgãos da Ordem estavam três elementos – Ricardo Viveiros Cabral, Gil Alcoforado e João Carlos Ramos – que fizeram parte da Lista B, concorrente de aquela que encabeçava. Na sua opinião, julga que ficaram desiludidos com a Ordem que existia?
OMS – Acho que não. Estas questões devem até ser vistas com uma certa naturalidade. Não me parece que tivessem havido nestas eleições nenhum motivo especial para essa opção. Mas, é isso mesmo: uma opção. Nunca me fizeram sentir que houvesse qualquer tipo de discordância relativamente à condução dos destinos da Ordem.

SO – Foi uma surpresa para si?
OMS – Não. Não foi. Obviamente que na constituição das listas me fizeram sentir que não tinham intenção de se envolver. Julgo que é apenas uma opção própria que os próprios poderão explicar. Mas deixe-me dizer-lhe que acho isso absolutamente natural. A Ordem nunca se esgotou nos órgãos sociais e há um conjunto de pessoas que estão mais ligadas à condução dos destinos da Ordem, a vários níveis, e portanto é relativamente normal que o gérmen da alternativa ou da continuidade surja.

SO – A determinada altura verificou-se que a Lista A apostou bastante nas formas de comunicação digitais, seja pelo envio de e-mails, seja pela presença nas principais redes sociais. Podemos esperar da OMD uma comunicação crescente nesse campo?
OMS – Sem dúvida. A Ordem em si já é pioneira, e fomos das primeiras Ordens a ter um site. Queremos adensar a nossa plataforma de comunicações digitais. Por exemplo, a nossa newsletter, que é relativamente recente neste formato regular, chega quase a 5 mil médicos dentistas. É um meio de funciona melhor que a revista da Ordem, até porque a informação e as notícias não se compadecem com a trimestralidade. A newsletter é, sem dúvida, um meio eficaz. Em alguns colegas verifico até que o e-mail é já um meio em desuso. Muitos utilizam o Facebook, ou outros tipos de ferramentas, muito curtas. E essa é uma dificuldade para um organismo como a Ordem: uma boa comunicação. E às vezes uma chamada de atenção pelo Facebook ou pelo Twitter é mais eficaz, até porque funciona como um “isco”.

Leia a entrevista completa na Saúde Oral N.º 71. Brevemente.