Saúde Oral

OMD volta a alertar para os riscos do cigarro eletrónico

OMD volta a alertar para os riscos do cigarro eletrónico

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) emitiu recentemente um comunicado, a propósito do Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio), em que pede “um maior controlo na comercialização de cigarros eletrónicos e a proibição de qualquer tipo de publicidade, incluindo publicidade encapotada nas redes sociais” a este tipo de produto.

O bastonário da OMD, Orlando Monteiro da Silva, denuncia “a falta de regulação sobre estes cigarros eletrónicos, que não permite saber qual a composição dos líquidos, que é diversa e muito variada. Sabe-se que contém substâncias como propilenoglicol, glicerina e, claro, nicotina, e já foram detetados carcinógenos, como aldeídos, carbonatos e metais pesados”.

Orlando Monteiro da Silva diz ainda que “a população não está suficientemente alertada para os riscos dos cigarros eletrónicos, apresentados pelas tabaqueiras como sendo de menor risco que o cigarro tradicional. O menor risco, que ainda não está sequer provado que assim seja, não significa que estes cigarros eletrónicos sejam inócuos para a saúde, muito pelo contrário. A nicotina é inalada e os estudos científicos que existem sobre o consumo destes cigarros eletrónicos mostram que os seus consumidores têm maior probabilidade de presentar xerostomia (boca seca), estomatite, língua pilosa ou queilite angular. O consumo destes cigarros eletrónicos contribui ainda para a progressão da doença periodontal (da gengiva)”.

De acordo com a OMD, Portugal é, segundo dados do Eurobarómetro, o país da União Europeia onde menos fumadores querem deixar de fumar e deixam efetivamente de fumar, e um dos países onde os jovens começam a fumar mais cedo, procurando neste tipo de cigarros uma alternativa por os considerarem “menos prejudiciais para a saúde do que o tabaco tradicional”.

Otília Lopes, membro do Conselho Geral da OMD, explica ainda que “os e-cigarros são um desafio para o médico dentista quando aconselha e discute com os seus pacientes sobre os efeitos do tabaco e sobre a cessação tabágica”, uma vez que há “falta de informação sistematizada e clara sobre os efeitos prejudiciais”.

Eunice Virgínia Carrilho, membro do Conselho Diretivo da OMD, acrescenta que “existe uma maior suscetibilidade dos fumadores de cigarro eletrónico para desenvolverem alterações nos tecidos biológicos orais quando comparados com ex-fumadores ou não-fumadores”.

“No caso da saúde oral, o consumo de tabaco, seja ele qual for, é altamente prejudicial para os tecidos moles e duros da boca e é um fator de risco ou contributivo para doenças de natureza inflamatória, infeciosa, degenerativa e neoplásica, como são exemplo, a doença periodontal, a perda dentária, as complicações pós-cirúrgicas, os insucessos com implantes dentários, lesões potencialmente malignas ou o cancro oral, um dos mais mortíferos em Portugal”, conclui a OMD.