Médicos Dentistas

O ‘insight’ de um especialista de Wuhan sobre o regresso à normalidade na clínica

saude oral dentista

Zhuan Bian, professor e reitor da Escola e Hospital de Estomatologia da Universidade de Wuhan, participou num webinar online, organizado pela Associação Alemã de Implantologia Oral, no qual explicou de que forma a pandemia da Covid-19 tinha alterado o fluxo de trabalho da sua equipa. O docente partilhou ainda conhecimentos sobre os procedimentos de controlo de infeções que considera mais importantes para os profissionais de medicina dentária.

A 23 de janeiro, a cidade de Wuhan, com mais de 11 milhões de habitantes, encerrou e foi implementada a restrição de tratamentos dentários à exceção de casos de emergência. Os consultórios de medicina dentária privados em toda a China foram encerrados. Atualmente, os consultórios privados fora da província de Hubei retomam gradualmente o seu trabalho.

Quatro dos cinco trabalhos de maior risco em situação de exposição a doenças são do setor de medicina dentáriaOs higienistas tiveram uma classificação geral de 72,8 em 100, com uma pontuação de 100 no que concerne à exposição a doenças e infeções. Em relação a este risco sanitário, os dentistas obtiveram 95 de classificação.

Também segundo Bian, os dentistas e outros profissionais do setor dentário têm um risco elevado de contrair SARS-CoV-2 devido ao contacto próximo com os seus pacientes, possíveis salpicos de secreções, saliva ou sangue dos pacientes, além de aerossóis gerados por dispositivos ultrassónicos de alta velocidade e microrganismos patogénicos ligados aos vários instrumentos dentários.

Medidas de prevenção no setor

Para minimizar o risco de contágio, os profissionais do setor adotaram medidas como a utilização de vestuário de proteção – máscaras médicas, toucas, luvas, óculos ou proteções faciais, proteções de calçado até ao joelho e batas cirúrgicas. Os procedimentos que geravam salpicos ou aerossóis deveriam ser evitados ou, pelo menos, minimizados. Bian recomendou que, para estas situações, fossem utilizadas barragens dentárias e ejetores de saliva de grande volume. O professor sugeria ainda a substituição da radiografia intraoral por uma radiografia extraoral.

A nossa comunidade dentária está especialmente preocupada com os aerossóis. Os aerossóis que contêm o vírus seriam muito perigosos. Até agora, não encontrei na literatura nenhuma prova de que os aerossóis que contêm o vírus tenham afetado as pessoas. É claro que também não tenho provas que o neguem. Portanto, isto torna-se muito complexo. No caso de os aerossóis conterem o vírus, suspendemos o ar condicionado para que este não espalhe ar de uma sala para outra e, no nosso departamento de emergência, esterilizamos o ar duas vezes por dia”, explicou Bian, citado pelo Dental Tribune.

O médico deixou também a sua opinião sobre colutórios orais: “Até agora, não temos quaisquer dados sobre qual a melhor lavagem [colutório], mas penso que uma lavagem irá diluir a possível concentração do vírus na cavidade bucal. Por isso, pode ser útil, e nós fornecemos aos nossos médicos”, acrescenta.

Os profissionais devem também ser avaliados regularmente para detetar possíveis sintomas da Covid-19, medindo também a sua temperatura regularmente. Caso alguém apresente sintomas respiratórios, deverá ser retirado do turno de trabalho e o mesmo se aplica se algum familiar apresentar sintomas.

Em Portugal, também a  OMD tinha realizado recomendações para os consultórios de medicina dentária, ainda antes de ter sido decretado estado de emergência que conduziu ao encerramento das clínicas.

O impacto financeiro

Michael Yu, editor-chefe do Dental Tribune China, terá explicado ao Dental Tribune International que, embora os consultórios dentários em mais de 20 províncias tenham retomado gradualmente o seu trabalho ainda em março, muitos dentistas tinham tido prejuízos financeiros.

Em Portugal a situação é semelhante.  Contudo, uma das reivindicações mais prementes dos médicos dentistas no âmbito da pandemia de Covid-19 foi respondida, com o Governo a enviar para promulgação ao Presidente da República um decreto com alterações ao regime de apoio extraordinário aos trabalhadores independentes, que alarga os benefícios aos sócios-gerentes sem trabalhadores por conta de outrem.