Saúde Oral

Novo dispositivo pode ajudar os dentistas a detetar cancro oral

Cancro oral é o sexto mais comum em Portugal

O serviço nacional de saúde britânico (NHS) vai utilizar uma subvenção de 1 milhão de libras (cerca de 1, 1 milhão de euros) para criar um método indolor e não invasivo para detetar o cancro da boca.

O dispositivo, que pode ajudar os profissionais de saúde, incluindo os médicos dentistas, a detetar de forma precoce e com maior precisão o cancro da boca, vai recorrer à espetroscopia de impedância eléctrica, um método já utilizado para a deteção do cancro do colo do útero.

Espera-se que este método elimine a necessidade de biópsias invasivas e proporcione melhores resultados aos doentes, além de permitir a redução dos custos do NHS.

No ano passado, mais de 8 300 pessoas foram diagnosticadas com cancro da boca no Reino Unido, um pico de 49% em casos só na última década.

Nigel Carter, diretor-executivo da Fundação para a Saúde Oral, acredita que este aparelho pode salvar milhões de vidas.

“As probabilidades de uma pessoa vencer o cancro da boca dependem da rapidez com que é diagnosticado e tratado”, disse Nigel Carter, citado pela Dentistry UK, acrescentando que “qualquer dispositivo que possa diagnosticar com precisão o cancro da boca e, ao mesmo tempo, eliminar a ansiedade deve ser apoiado”.

“Acelerando o processo de diagnóstico, é possível passar ao tratamento muito mais cedo. Isto não só dá a alguém uma melhor hipótese de sobrevivência, como também melhorará a sua qualidade de vida”, conclui.

A equipa que está a desenvolver o dispositivo espera que este esteja pronto para ser testado em breve, por forma a iniciar um ensaio clínico completo nos próximos 12 meses.

“A espetroscopia de impedância elétrica pode ajudar a diagnosticar o cancro oral mais cedo e com maior precisão, mesmo quando estas alterações celulares podem não ser visualmente visíveis”, explica Keith Hunter, professor da Faculdade de Medicina Dentária Clínica da Universidade de Sheffield.

Este dispositivo pode assim ajudar a reduzir a necessidade de biópsias e, consequentemente, reduzir a ansiedade do paciente e a melhorar o seu conforto.