Novas luzes sobre ligação entre papilomavírus humano e cancros orais

Novas luzes sobre ligação entre papilomavírus humano e cancros orais

Segundo noticiou o “NewsWise”, uma equipa de investigadores do University of Michigan Comprehensive Cancer Centre (http://www.mcancer.org/) descobriu uma série de marcadores que indicam quais os pacientes que têm maior probabilidade de sobreviver a cancros na base da língua ou amígdalas e concluiu ainda que os cancros relacionados com o papilomavírus humano (HPV) são os que melhor reagem à quimioterapia e radiação.

Os tumores que expressam elevados níveis de um determinado receptor de factores de crescimento são os de menor resposta aos tratamentos actuais e, em última instância, os mais fatais.
Assim sendo, e de acordo com os investigadores, este estudo, publicado no “Journal of Clinical Oncology”, constitui um passo importante na indicação de um tratamento mais individualizado para determinado tipo de cancro.
«A quimioterapia e radiação que usamos para tratar este tipo de cancros são bastante agressivas. Se pudermos identificar quais os pacientes que possuem maiores probabilidades de responder positivamente a um tratamento, podemos reduzir a intensidade do mesmo para aqueles que apresentam melhores resultados. Ao mesmo tempo, esperamos vir a identificar novos tratamentos direccionados especificamente para aqueles tumores que sabemos não estar a responder aos tratamentos recorrentes», afirmou o docente e investigador do Kresge Hearing Research Institute da University of Michigan, Thomas Carey.
O número de cancros das amígdalas e base da língua tem vindo a aumentar ao longo dos anos, um fenómeno que Carey apelida de “epidemia” do cancro da cabeça e pescoço induzido pelo HPV.
Na verdade, esta situação surgiu numa altura em que a diminuição das taxas de fumadores levou a uma redução da incidência de outros tipos de cancros da cabeça e do pescoço.
«O desafio maior é encontrar a melhor forma de tratar os pacientes com tumores derivados do hábito de fumar ou de ingerir álcool em oposição a tumores ligados ao HPV. Agora sabemos que existem dois tipos diferentes de cancros», explicou o autor do estudo, Francis P. Worden, da University of Michigan Medical School.
Este ensaio clínico incluiu 66 participantes diagnosticados com cancro das amígdalas ou da base da língua em estado avançado. Inicialmente, os doentes foram submetidos a quimioterapia para diminuição do tamanho do tumor. Nos doentes em que não se registou uma diminuição de pelo menos 50% recorreu-se de seguida à cirurgia, apesar da maioria não ter sobrevivido ao cancro – apenas quatro em 11 participantes sobreviveram.
Por outro lado, os restantes 54 doentes responderam positivamente a um novo ciclo de quimioterapia combinada com radiação. Neste último grupo, 62% sobreviveram sem sinais da patologia e 73% preservaram na totalidade os seus órgãos.
«Para a maioria dos pacientes, a quimioterapia e radiação foi bastante eficaz. Mas um pequeno grupo de pacientes ainda não se encontra totalmente tratado. O nosso passo seguinte consistiu na análise dos biomarcadores para verificar se era possível determinar quais os pacientes que estavam a responder ao tratamento», acrescentou Carey.
Ao analisar as biópsias efectuadas antes do tratamento, os investigadores descobriram que 64% dos tumores apresentaram-se positivos a estirpes de elevado risco do HPV. A maioria dos tumores HPV positivos responderam à quimioterapia inicial e 78% daqueles pacientes sobreviveram, preservando os seus órgãos. Quanto aos participantes com HPV negativo, apenas quatro em 15 resistiram ao tratamento. Em adição, os investigadores descobriram que os pacientes cujos tumores demonstraram um marcador genético denominado EGFR apresentaram os piores resultados.
Os tumores que apresentaram uma baixa expressão da proteína p53, combinada com uma elevada expressão de outra proteína, a BCLXL, revelaram também resultados menos eficazes.
De referir que, este ano, cerca de 35.300 americanos serão diagnosticados com cancro da cabeça e do pescoço, de acordo com dados da American Cancer Society.