Música pode ajudar no tratamento da depressão e AVC

Música pode ajudar no tratamento da depressão e AVC

Música clássica, popular, hip hop e rock podem ser utilizadas em tratamentos de musicoterapia em patologias como a depressão, a toxicodependência ou acidentes vasculares cerebrais, noticiou a “Lusa”.

«Em Portugal o interesse surgiu nos anos 1960 e tal como no estrangeiro, começou na psiquiatria com doentes profundos e, mais tarde, com pessoas ligadas à educação musical que trabalhavam com crianças deficientes e autistas», contou à agência de notícias, a presidente da Associação Portuguesa de Musicoterapia (APM), Teresa Leite.
Apesar de ser uma terapêutica recente em Portugal, a musicoterapia – uma forma de intervenção que usa a música, os sons e os ritmos para tratar inúmeras patologias – começa a suscitar um interesse cada vez maior nas pessoas.
Com o aparecimento de cursos na Madeira nos anos 90, com a realização de seminários e, a partir de 2000, com cursos de especialização na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Lusíada, em Lisboa, e na Escola Superior de Educação, no Porto, a musicoterapia foi ficando conhecida, suscitando o interesse de profissionais ligados às mais diversas áreas.
«A musicoterapia é a utilização do som, da música num plano com objectivos terapêuticos, junto de pessoas que apresentam algum tipo de problemática, que precisam de ser ajudadas e que mostram sinais de beneficiarem de uma ajuda através da música», explicou a responsável, licenciada em psicologia e musicoterapia, nos Estados Unidos. O tratamento, acrescentou, pode ser feito através da escuta ou da prática musical, consoante o tipo de patologia que a pessoa apresenta.
Em primeiro lugar, o musicoterapeuta precisa de fazer um levantamento dos dados da pessoa e das músicas que prefere. Todos os tipos de música (rock, pop, clássica, hip hop, entre outros), salientou Teresa Leite, podem ser usados nos tratamentos. A única particularidade é ser da preferência da pessoa.
Segundo Teresa Leite, a música pode beneficiar o tratamento de diversas doenças por ser simbólica e recreativa. «A pessoa pode não saber tocar nenhum instrumento, pode nunca ter aprendido música, mas todos nós temos preferências musicais, compramos os nossos CDs, ouvimos rádio, usamos a voz e nascemos e crescemos rodeados de ritmos, pelo que o ser humano tem capacidade para se envolver em experiências musicais», explicou.
Quanto às patologias que podem ser tratadas com musicoterapia, Teresa Leite indicou a depressão, o autismo, o tratamento da dor, acidentes vasculares cerebrais, hiperactividade e enfartes.
Questionada sobre se nos tratamentos com musicoterapia são usados fármacos, Teresa Leite respondeu negativamente. «Eu sou psicóloga, não tenho competências profissionais para medicar e por isso não uso fármacos, mas quando uma pessoa precisa de fármacos trabalho em colaboração com um médico», explicou.
Em relação aos preços dos tratamentos, Teresa Leite reconhece que são caros, pois exigem continuidade e várias sessões. «Tal como a psicoterapia, as sessões no privado de musicoterapia são caras, em torno dos 40/50 euros por sessão, pois é um trabalho que exige continuidade, é a médio longo prazo», rematou.