Estudo

Metade dos portugueses não sabem o que é a ortodontia

Quase metade dos portugueses (48%) não sabem o que é a ortodontia e um em dez confundem aparelhos dentários com tratamentos com próteses dentárias. Estas são algumas das conclusões de um estudo levado a cabo pelas clínicas OralMED Medicina Dentária, que entrevistou 1451 pessoas em Portugal entre 29 de abril e 17 de maio deste ano.

Intitulado Retrato da Ortodontia em Portugal e com coordenação científica de João Marôco, o estudo, que avalia as principais motivações e retrações dos portugueses relativamente à ortodontia, revela ainda que, mesmo entre as pessoas que dizem saber o que é a ortodontia, 47% não sabem explicar do que se trata.

Além disso, oito em cada dez portugueses que já ouviram falar em aparelhos dentários nunca realizaram um tratamento ortodôntico. No entanto, a maioria (78%) também acredita que não precisa de realizar este tipo de tratamentos, embora confie (85%) no seu atual médico dentista para os realizar. Por outro lado, a capacidade económica, uma condicionante habitual para os pacientes de medicina dentária, não parece ser impeditiva à realização de tratamentos: só 14% dos portugueses dizem que nunca colocaram aparelho por questões financeiras.

A pesquisa mostra ainda que não existem grandes estigmas ou perceções negativas em relação aos tratamentos ortodônticos, já que a maioria dos inquiridos os recomenda e uma elevada percentagem acredita que são eficazes. A confiança nos especialistas é ainda evidenciada por outra questão: 82,8% dos inquiridos consideram que a colocação de aparelho dentário deve ser feita por um especialista. Ainda assim, 17,2% acreditam que a especialização em ortodontia não é relevante para a colocação de um aparelho dentário.

Este retrato do estado da ortodontia no País evidencia ainda a falta de intervenção precoce na medicina dentária. Nove em cada dez aparelhos são colocados durante a dentição definitiva, com apenas 3,9% dos inquiridos a afirmarem que colocaram aparelho durante a dentição decídua. Por outro lado, 6.8% dos portugueses que já realizaram tratamentos ortodônticos disseram ter usado aparelho em ambas as dentições.

Saúde sobre a estética

Outro ponto interessante é que 42% dos portugueses afirmam que colocar aparelho dentário serve para “melhorar a saúde”. Porém, 37,3% já associa a ortodontia a tratamentos de estética e melhoria da imagem pessoal, ao passo que 19,5% associa os tratamentos à melhoria da função mastigatória.

Dos portugueses que já ouviram falar em aparelhos dentários, 66,7% dizem ter visitado o médico dentista há menos de ano. Contudo, cerca de um terço não o faz há mais de um ano e cerca de 0,7% refere nunca ter ido ao dentista.

Uma das grandes indicações da pesquisa realizada pela OralMED é que os profissionais de ortodontia têm de melhorar a comunicação – de preferência recorrendo a suportes visuais – com o paciente. Isto porque há uma clara associação incorreta entre aparelhos dentários e próteses dentárias. Entre a população que já ouviu falar em aparelhos dentários, 11% acredita que a função de um aparelho dentário é substituir dentes em falta.

Finalmente, quanto à intenção comportamental apontada pelo estudo, verifica-se que, embora os portugueses registem um grande valor percebido da ortodontia, especialmente no plano da qualidade (a dimensão mais valorizada, com 7,41 pontos numa escala de zero a dez), tal não afeta a sua predisposição para realizar tratamentos ortodônticos. Numa escala de um a dez sobre a intenção futura de colocar aparelho dentário, a média dos respondentes é 5,39, um valor muito próximo da neutralidade (5). Este número pode ser explicado pela convicção de que não necessitam de colocar aparelho dentário (cerca de 80%) e também pelo desconhecimento evidenciado pela pesquisa relativamente à ortodontia.

Esta não é a primeira publicação do grupo de medicina dentária, que conta com 45 clínicas em território nacional (a mais recente foi inaugurada na semana passada) e dois laboratórios. Em 2018, a OralMED publicou um guia e ainda uma revista. No total, o grupo já conta com sete guias e está prestes a publicar a sua sexta revista.

O estudo pode ser lido na íntegra aqui.