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Médicos dentistas

Médicos dentistas alertam ministra do Trabalho para precariedade do setor

Um grupo de jovens médicos dentistas, liderados por Miguel Pavão, candidato a bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), entregaram hoje uma carta a Ana Mendes Godinho sobre a precariedade profissional na medicina dentária.

A missiva foi enviada na sequência das declarações proferidas pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social na Assembleia da República, na semana passada, nas quais Ana Mendes Godinho sublinhou a importância dos jovens para o modelo de desenvolvimento do País.

Numa alusão a várias declarações de membros do governo do ex-primeiro-ministro Passos Coelho, incluindo do próprio, que apontavam a emigração como solução para o desemprego, a ministra afirmou que, “com este Governo, os jovens não serão aconselhados a emigrar”. Perante as afirmações da ministra, Miguel Pavão e outros jovens dentistas da sua lista, a Lista A, decidiram enviar uma carta para “lembrar” Ana Mendes Godinho “da crise que o setor atravessa”, pode ler-se num comunicado enviado hoje pela Lista A à redação da SAÚDE ORAL.

Recuperando números do Barómetro de Saúde Oral 2019, o candidato a bastonário salienta ainda que, dos 11 mil médicos dentistas inscritos na OMD, cerca de 1 500 já optaram pela emigração. “Poderá parecer uma opção ponderada e desejada. Mas sabemos bem que a grande maioria desses jovens o fizeram porque, não tendo alternativa, a isso foram obrigados já que opções profissionais dignas não lhes surgiram em Portugal”, escreve Miguel Pavão.

No documento, a que a SAÚDE ORAL teve acesso, o candidato a líder da OMD concorda também com as afirmações de Ana Mendes Godinho de que os jovens “são claramente uma das partes mais atingidas, nomeadamente no que toca à precariedade laboral”. Sublinha, porém, que tal esta situação, “na conjuntura da pandemia […] se agudizou severamente” para os médicos dentistas jovens.

Miguel Pavão e os restantes subscritores da carta tocam ainda noutros temas sensíveis da medicina dentária, como a ausência de uma carreira de medicina dentária pública, ainda por aprovar. “Segundo um estudo feito internamente pelos médicos dentistas que integram os serviços públicos, sabemos que apenas um médico dentista com menos de 30 anos está abrangido por um regime contratual seguro. Neste caso, como técnico superior de carreira geral, já que ainda não foi aprovada uma carreira de medicina dentária pública. Quase todos os jovens médicos dentistas recém-integrados nos centros de saúde estão, assim, contratados a falsos recibos verdes, situação que deve ser urgentemente resolvida pois, como diz, o público jovem ‘tem que [sic] ser e é assumido pelo Governo como um dos públicos prioritários às políticas de apoio ao emprego.’”

Por outro lado, apelam ainda à reformulação dos estágios comparticipados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, através dos quais, dizem, os jovens recém-licenciados e as clínicas dentárias têm de aguardar entre três e seis meses para beneficiarem da comparticipação financeira do governo. “É urgente que os estágios profissionais possam ser uma opção real, eficaz e rápida à introdução dos jovens recém-licenciados no mercado de trabalho.”

Subscreveram a carta os jovens médicos dentistas que integram a candidatura da Lista A à Ordem dos Médicos Dentistas: Ângela Rodrigues – CP 10558; Delfim Cristiano – CP 12152; Filipa Barros dos Santos – CP 11265; Luís Pereira Azevedo – CP 11824; Maria Moreira – CP 12392; Miguel P. Oliveira – CP 12568; Miguel Pessanha – CP 11123; Mónica Pereira Lourenço – CP 11903; Rita Cardoso Rocha – CP 12862; Sara Azziz – CP 10166; Telmo Ferreira – CP 11111; Tiago Aquino Monteiro – CP 11600.