Dia Mundial sem Tabaco

Médico dentista Hugo Madeira dá a cara contra o tabaco

O médico dentista Hugo Madeira é uma das várias figuras públicas de áreas como a televisão, música, representação, saúde e jornalismo que se uniram na nova campanha da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), lançada no âmbito do Dia Mundial sem Tabaco, que se assinala hoje.

Além do profissional de saúde oral, Fátima Lopes, Vanessa Oliveira, Jorge Corrula, Fernando Daniel, Ana Galvão, Carla Rocha, Joana Marques, Rita Costa, Helena Coelho, Eduardo Rego e Diana Wong Ramos dão também o rosto por esta causa para desmistificar a crença de que fumar aumenta a criatividade ou que estimula a imaginação e a inspiração.

“A arte é vida, liberdade e partilha, não é doença, dependência ou limitação. Neste Dia Mundial sem Tabaco incentivamos os portugueses a praticar a arte de não fumar”, referem Paula Rosa e Cláudia Matos, da SPP.

De acordo com dados do Inquérito Nacional de Saúde de 2014, 20% dos portugueses com idade superior a 15 anos fuma, ou seja, uma em cada cinco pessoas. Os fumadores representam 28,3% dos homens e 16,4% das mulheres no nosso País, sendo este um hábito mais comum no grupo etário entre os 25 e os 34 anos.

O tabaco é constituído por mais de 4000 substâncias, algumas com efeitos tóxicos e irritantes, outras com efeito cancerígeno e de dependência. As consequências orais do consumo tabágico vão desde a simples halitose e pigmentação, até doenças mais graves, como o cancro oral.

As novas formas de tabaco e o impacto que têm tido nas populações mais jovens são também uma preocupação da SPP. “Estas novas formas contêm nicotina, que é altamente viciante e que pode prejudicar o desenvolvimento cerebral dos jovens que a consomem.  No que diz respeito aos cigarros eletrónicos, estes despertam grande curiosidade nos jovens pelo design moderno e atraente tecnologia, assim como pela diversidade de aromas.”

Além do consumo de nicotina, estudos demonstraram que os jovens que experimentam cigarros eletrónicos têm maior propensão a consumir cigarros convencionais. De acordo com dados do estudo ECATD-CAD/ESPAD–Portugal (2015), 12,8% dos adolescentes e jovens consumiram cigarros eletrónicos, mas prevê-se que este número vá aumentar.

“No que diz respeito ao tabaco sem combustão, ainda não existem suficientes dados em Portugal sobre o consumo nos jovens, no entanto, tal como acontece com os cigarros eletrónicos, não podemos descartar a possibilidade de poderem ser a porta-de-entrada da adição à nicotina”, acrescentam as especialistas.

A posição da OMD

Da mesma opinião é Marta Resende, representante da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) no Grupo Técnico Consultivo do Tabaco da Direção-Geral da Saúde (DGS), que lembra que “dado serem sistemas ainda muito recentes, ainda não existem estudos suficientes, independentes e a longo prazo sobre os seus efeitos na saúde sistémica e oral em particular, portanto, sobre a segurança da sua utilização”. A representante afirma ainda que “existe já plausibilidade biológica para o malefício sistémico e oral destes dispositivos”.

Esta semana, o bastonário da OMD, Orlando Monteiro da Silva, já veio denunciar “a falta de regulação sobre estes cigarros eletrónicos, que não permite saber qual a composição dos líquidos, que é diversa e muito variada. Sabe-se que contém substâncias como propilenoglicol, glicerina e, claro, nicotina, e já foram detetados carcinógenos, como aldeídos, carbonatos e metais pesados”.