Listas de espera: Ministério de saúde quer baixar tempos de espera

O Ministério da Saúde diz que o número de doentes em lista há mais de um ano baixou, sendo actualmente de 9%, valor que em 2005 rondava os 37%. Contudo, a tutela quer acelerar até ao final do ano o processo de transferência dos doentes em espera para o sector privado, permitindo-lhes optar mais cedo por uma operação fora do hospital onde estão inscritos.

Dos quase 193 mil doentes em lista de espera para uma operação nos hospitais públicos, 17 mil (9%) aguardam há mais de 12 meses para ver o seu problema resolvido, motivo que levou o Ministério da Saúde a acelerar o processo de transferência destes doentes para o sector privado, ao permitir-lhes optar mais cedo por uma operação fora dos hospitais públicos.
Neste momento, só passados nove meses em lista de espera é que um doente pode optar por um vale cirurgia para que possa resolver o problema num outro hospital ou clínica privada com convenção do Ministério da Saúde. A proposta da tutela é que este tempo passe a ser de seis meses e 20 dias, sendo que nos casos de doentes prioritários, como os casos de cancro, este período passa a ser de um mês e não de dois meses, como estava até então previsto.
O objectivo desta mudança foi ontem explicado por Pedro Gomes, coordenador do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia, que fez um balanço da situação das listas de espera nos hospitais, cuja capacidade de resposta continua a ser marcada por grandes assimetrias, apesar da melhoria dos tempos de espera.
Segundo os dados avançados no final de 2007, quase 200 mil pessoas aguardavam por uma cirurgia no SNS, menos 26 mil do que no ano anterior, das quais 4497 eram doentes com cancro. Nos primeiros quatro meses deste ano eram apenas seis mil. O que Pedro Gomes salientou é que a mediana de tempo de espera tem vindo a descer significativamente e que o aumento na recuperação das listas tem sido feito sem prejudicar o normal funcionamento dos hospitais, onde a cirurgia programada cresceu 13%.
Ao acelerar o encaminhamento dos doentes para o privado, a tutela consegue ajudar a combater as assimetrias de resposta ao SNS e pressiona-os a «melhorar as performances», dado o risco de perderem doentes.
Há hospitais que, em média, demoram mais de sete meses a operar um doente, uma situação tanto mais grave quando se tratam de doentes prioritários, cujo problema devia ser resolvido consoante o grau de gravidade em três, 15 ou 60 dias.

CDS-PP duvida de dados do Ministério
Sobre os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, a deputada do CDS-PP Teresa Caeiro referiu suscitarem-lhe algumas dúvidas, pois na sua opinião deveria ser uma entidade independente, e não o Ministério da Saúde, a avaliar se houve ou não redução nos tempos de espera.