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Japão: Cientistas criam células estaminais a partir de dente do siso

Japão: Cientistas criam células estaminais a partir de dente do siso

Investigadores japoneses conseguiram criar, a partir de um dente do siso, células estaminais, gerando, assim, um recurso alternativo de células pluripotentes para investigação e tratamento de doenças, evitando os problemas éticos que envolvem o uso de células estaminais embrionárias.

A equipa de cientistas do Japan’s National Institute of Advanced Industrial Science and Technology (AIST), fundado pelo Governo japonês, revelou, segundo o “Medical News Today”, ter usado um dente do siso que havia sido congelado durante três anos, após ter sido removido de uma criança de 10 anos.
O líder do estudo, Hajime Ogushi, em entrevista à agência de notícias “AFP”, destacou dois aspectos significantes inerentes ao projecto de investigação. Primeiro, evita os problemas éticos associados à utilização de células estaminais embrionárias e, segundo, uma vez que os dentes do siso são comummente desperdiçados, é fácil o seu armazenamento.
No ano passado, cientistas norte-americanos e japoneses anunciaram a criação de células estaminais a partir da pele, a primeira e concreta fractura na descoberta de uma alternativa às células estaminais embrionárias enquanto forma de produzir células-tronco pluripotentes, capazes de se tornar em praticamente qualquer célula do corpo sob as condições adequadas. Muitos foram aqueles que elogiaram a descoberta, incluindo a Casa Branca e o Vaticano.
Os cientistas, conduzidos por Shinya Yamanaka da Kyoto University, criaram células estaminais através do uso de fibroblastos retirados da pele de ratinhos de laboratório. Posteriormente, a equipa introduziu quatro genes transcritores nos fibroblastos. Estes genes codificam uma variedade de proteínas factor de transcrição que controlam a expressão de outros genes, tornando, efectivamente, as células em “células-tronco”.
No projecto mais recente, a equipa de Ogushi extraiu células do dente do siso doado, inseriu três dos genes utilizados pela equipa de Yamanaka´s e cultivou as células em laboratório durante um mês. Quanto concluíram os testes às células, verificaram que eram células estaminais, contou Ogushi.
Uma aplicações possível seria o uso das células no tratamento de doenças ósseas não hereditárias, mas Ogushi explicou que serão necessários, no mínimo, cinco anos de desenvolvimento e de ensaios clínicos antes que a ideia possa ser posta em prática no meio clínico.
No que toca ao armazenamento de células estaminais oriundas de dentes do siso, Ogushi afirmou que não haveriam problemas com o fornecimento, uma vez que a extracção do dente do siso consiste num procedimento dentário comum.
Outra das aplicações poderia passar pelo benefício daqueles que extraem os dentes do siso, podendo armazená-los para uso futuro enquanto fonte de células estaminais.
No ano passado, o Japão anunciou um investimento de cerca de 90 milhões de dólares em investigação de células estaminais para os próximos cinco anos.