Investigação

Identificada mutação que confere às bactérias resistência aos antibióticos

Identificada mutação que confere às bactérias resistência aos antibióticos

Investigadores da Universidade de Hokkaido, no Japão, e do National Institute Of Advanced Industrial Science and Tecnhology, desenvolveram uma abordagem para o rastreio sistemático de genes resistentes do tipo ribossomal RNA (rRNA).

O rRNA é a componente indispensável da célula que produz proteína. É um dos principais alvos dos antibióticos, contudo a mutação do rRNA é agora reconhecida como uma forma de resistência ao fármaco, que suscita a preocupação junto de muitos profissionais de saúde. Num estudo apresentado recentemente no evento EuroPerio9, em Amesterdão, os resultados demonstraram que a resistência antimicrobiana está em crescimento no seio dos pacientes com periodontite severa na Alemanha.

Kei Kitahara, microbiologista molecular na Universidade de Hokkaido e coautor do estudo, afirmou: “Os nossos resultados indicam que existem inúmeras mutações pontuais por identificar e por caracterizar nos genes rRNA que conferem resistência ao antibiótico”. Para chegarem a esta conclusão, Kitahara e o coautor do estudo Kentaro Miyazaki, extraíram rRNA de um vasto leque de espécies bacterianas num ambiente natural ou não laboratorial, nos quais as mutações genéticas estão sempre a ocorrer.

Os investigadores injetaram-no em Escherichia Coli sem rRNA e descobriram que mais de dois mil dos rRNA importados poderiam compensar esta lacuna e evitar assim a morte da E. coli. De seguida, testaram se um antibiótico comum, spectinomicina, conseguia eliminar eficazmente a bactéria ou se o rRNA conferia resistência à E.Coli.

De acordo com as conclusões do estudo, o rastreio revelou três mutações até agora não registadas no rRNA dos patógenos que resistiram ao antibiótico, assim como outras mutações já conhecidas. Embora tenha sido proposto o uso de bactérias E. Coli

Inativas para testar mutações tenha sido proposto anteriormente, este método permite analisar o rRNA de outros patógenos em vez de se limitar aos que se encontram na E. coli.

Esta descoberta surge numa altura em que a investigação no domínio dos antibióticos se está a tornar cada vez mais desafiante. No início deste ano, o Star Tribune noticiou que a Novartis, farmacêutica suíça multinacional sedeada em Basel, foi o último gigante da área farmacêutica a pôr termo aos seus programas de investigação sobre antibióticos e antivirais.

Em declarações ao jornal, um representante da Novartis afirmou que esta decisão permitiria à empresa “dar prioridade ao uso de recursos noutras áreas onde acredita estar em melhor posição para desenvolver fármacos inovadores.” O estudo, intitulado “Functional metagenomic approach ot identify overlooked antibiotic resistance mutations in bacterial rRNA”, foi publicado pelo Scientific Reports em abril de 2018.