Investigação

IA ajuda a prever taxas de sobrevivência em pacientes com cancro oral

Cancro pancreático: papel das bactérias orais descodificado

Há muito que a inteligência artificial (IA) é apontada como o futuro da medicina, incluindo da medicina dentária. Um estudo-piloto, publicado em meados de setembro na Scientific Reports, é um bom exemplo disso, já que um grupo de investigadores desenvolveram um algoritmo que ajuda a prever as hipóteses de sobrevivência dos pacientes com cancro oral.

Realizado com pacientes do Paquistão, o estudo A novel digital score for abundance of tumour infiltrating lymphocytes predicts disease free survival in oral squamous cell carcinoma pode ser especialmente relevante neste país, que regista quase 13 mil novos casos de cancro oral todos os anos, segundo a publicação Dental Tribune.

O estudo foi feito em conjunto por investigadores do Shaukat Khanum Memorial Cancer Hospital and Research Centre, em Lahore, no Paquistão, e do Department of Computer Science da University of Warwick, no Reino Unido, que avaliaram scans de 70 pacientes com cancro oral que haviam sido tratados com radioterapia e submetidos a cirurgias à cabeça e pescoço.

Os investigadores trocaram ainda amostras de tecidos recolhidos dos pacientes, produzindo imagens de alta resolução das amostras a uma escala microscópica. O algoritmo desenvolvido permitiu prever taxas de sobrevivência ao medir os linfócitos que se infiltram no tumor (TIL), indicando a imunidade do paciente ao cancro e a resposta ao tratamento, e correlacionando a densidade e distribuição espacial dos TIL com as hipóteses de sobrevivência do doente.

“Este estudo-piloto mostra que, com a ajuda dos algoritmos modernos de análise de imagem de cancro, podemos calcular com precisão a abundância de TIL nos cancros orais de uma forma objetiva e depois usar esse cálculo para estratificar os riscos em termos de sobrevivência sem doença”, disse Nasir Rajpoot, um dos investigadores do estudo, citado pelo Dental Tribune.