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Genética não influencia saúde oral, mas a dieta da mãe pode influenciar

A genética não predispõe as pessoas para o desenvolvimento de cáries dentárias, mas as crianças com mães com excesso de peso têm maiores probabilidades de ter cáries dentárias. A conclusão é de um estudo realizado por investigadores da Universidade de Melbourne e publicado na revista científica Pediatrics [1].

De acordo com o estudo, quando iniciam o seu percurso escolar, uma em cada três crianças australianas já tem pelo menos uma cárie dentária. Para chegar a esta conclusão, o estudo contou com uma amostra de 173 pares de gémeos, examinando a sua dentição desde o nascimento até aos seis anos de idade.

Mihiri Silva, investigadora que coordenou o estudo, sublinha que “a forma como a genética impacta a saúde oral ainda não foi muito estudada [2]. Este é o primeiro estudo com gémeos que analisa tanto a genética como os fatores de risco no início de vida, nomeadamente as doenças e o estilo de vida. Descobrimos que os gémeos idênticos, com genomas idênticos, têm níveis de cáries dentárias diferentes. Isto significa que os fatores externos, como a falta de flúor na água, por exemplo, parecem ser a primeira causa das cáries dentárias e não a predisposição genética.”

Os investigadores conseguiram também demonstrar que existe uma relação entre a saúde materna e o estilo de vida da mãe durante a gravidez e a futura saúde oral da criança, com a obesidade durante a gravidez a revelar-se um marcador para o aumento da probabilidade de desenvolvimento de cáries dentárias nas crianças.

“A relação entre a obesidade materna e as cáries dentárias da criança é complexa. Talvez o peso da mãe tenha uma influência biológica no desenvolvimento do feto ou talvez o risco de desenvolvimento de cáries dentárias aumente devido ao maior consumo de açúcares naquele lar”, refere ainda a investigadora.

Conheça o estudo em detalhe aqui. [1]