OMD

Fontes de Carvalho recusa medalha de ouro da OMD

Manuel Fontes de Carvalho, um dos principais responsáveis pelas negociações que culminaram com a criação da Ordem dos Médicos Dentistas, em dezembro de 1998, vai recusar a Medalha de Ouro da Ordem dos Médicos Dentistas e não vai estar presente na cerimónia na Assembleia da República, agendada para o próximo dia 11 de dezembro.

Em causa está a atribuição da distinção a outras duas figuras de relevo da medicina dentária – António Vasconcelos Tavares e António Felino – com a qual Fontes de Carvalho não concorda. Numa carta à qual a SAÚDE ORAL teve acesso, Fontes de Carvalho começa por relembrar alguns episódios da história da medicina dentária, nos quais teve um papel decisivo. Por isso, e quando foi contactado pelo bastonário Orlando Monteiro da Silva no sentido de vir a receber a medalha de ouro, integrada nas comemorações dos 20 anos da OMD, “aceitei, com alguma emoção, porque acho sem falsa modéstia que a minha contribuição foi decisiva e nunca tinha sido reconhecida”.

A questão surgiu quando percebeu que a distinção não era exclusiva. “Foi com enorme surpresa e indignação que percebi que há mais dois distinguidos”, refere na carta. “Nada tenho a dizer do António Vasconcelos Tavares, amigo que muito prezo e muito me diz, mas cuja participação na existência da OMD é residual. O mesmo não posso dizer do António Felino, cuja colaboração foi nula”.

Fontes de Carvalho indica na carta alguns nomes de pessoas “que ativamente se empenharam na criação da OMD. Seria justo que a classe os distinguisse”. Casos de Carlos Silva ou José Miguel Milheiro de Carvalho.

“Acompanharam-me nestes processos alguns colegas que, de forma muito empenhada, participaram em muitos destes episódios. São os casos do Carlos Silva (então Secretário Geral da Ordem), José Miguel Milheiro de Carvalho (membro do Conselho Diretivo e responsável da região Sul da Ordem e da APMD), Américo Afonso (presidente do Conselho Deontológico), José Manuel Crespo de Carvalho (vice presidente do Conselho Diretivo e, posteriormente, presidente do Conselho Deontológico), Gil Alves e de muitos outros cuja memória me não permite agora nomear. De fora da Ordem destaco a permanente colaboração do Saudoso Prof Simões dos Santos (ex-diretor da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa), do prof Virgílio Meira Soares (ex-Reitor da Universidade de Lisboa) e do nosso consultor jurídico Dr. Miguel Lopes Cardoso”.