Estudantes

Estudantes de Medicina querem reduzir número de vagas às faculdades

hospital

Os estudantes de medicina portugueses querem que nos próximos cinco anos as vagas de acesso aos cursos de Medicina nas faculdades nacionais reduzam de 1800 para 1300 por ano. De acordo com a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), responsável pela proposta entregue ao Governo, o objetivo é que a formação médica em Portugal tenha mais qualidade e que o número de médicos no país esteja de acordo com a oferta de trabalho existente.

Segundo o Diário de Notícias, a proposta dos estudantes, que será agora analisada pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério da Ciência e do Ensino Superior, quer a “extinção imediata do contingente adicional de 15% de vagas [cerca de 250] para licenciados a admitir nos cursos de Medicina”, assim como a “redução fracionada de 3% ao ano”, num total de 15% ao fim de 5 anos, o que daria origem a menos 300 vagas já este ano.

A ANEM explica que outro dos problemas existentes no ensino de Medicina em Portugal é o rácio de alunos por médico no hospital que os acompanha, tendo sido encontrada “uma cadeira em Coimbra em que um tutor tinha 18 alunos. A média é de oito, mas mesmo assim consideramos elevada.”

Nos últimos 20 anos, o número de ingressos subiu 297%, ultrapassando a capacidade formativa pós graduada. De acordo com o Diário de Notícias, no final de 2015 “114 médicos ficaram impedidos de ingressar na especialidade, por não existirem vagas.”

Fernando Araújo, secretário de Estado da Saúde, já revelou ao Diário de Notícias que quando a proposta lhe chegar às mãos “será analisada, mas será sempre com o Ministério da Ciência e Ensino Superior. Temos tido algum debate sobre várias questões, este também está incluído nas ordens de trabalho. Teremos de analisar, porque não é só a questão das vagas em Portugal, mas também no estrangeiro. É uma proposta interessante que vamos analisar com tranquilidade.”

Esta tem sido, aliás, também uma luta dos jovens médicos dentistas, que no passado dia 5 de março lançaram uma campanha que tem como objetivo alertar para o estado da profissão de médico dentista, que em Portugal se caracteriza pelo subemprego.

Intitulada ‘Médicos Dentistas: da fama de sultão à realidade de frustração’, a campanha conta com um vídeo que está a ser divulgado na página de Facebook da associação Young Dentists Portugal (YDP) e que pretende mostrar a necessidade de discutir e analisar o problema do excesso de profissionais no país.

João Pires, Presidente da Young Dentists Portugal (YDP), explicou que “a formação crescente de médicos dentistas nos últimos anos, em consequência do aumento das vagas de acesso ao curso, não é um tema de debate recente. A Ordem dos Médicos Dentistas há muito que se encontra elucidada acerca deste problema e das suas consequências para os profissionais mais jovens. Hoje em dia, a emigração e o desemprego são uma realidade para os jovens Médicos Dentistas, que encaram a saída do país como a alternativa ao subemprego e exploração que encontram em Portugal.”

Nesse sentido, a associação endereçou ao Governo português um documento onde constam um conjunto de medidas que a associação acredita serem a resposta para o problema do excesso de médicos dentistas.