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Estados Unidos: Desperdícios de consultórios podem ser fonte de resíduos neurotóxicos

Estados Unidos: Desperdícios de consultórios podem ser fonte de resíduos neurotóxicos

O mercúrio é um importante componente do preenchimento de cavidades dentárias, mas não se acredita que constitua um risco imediato para a saúde, nessa forma. Contudo, quando exposto a bactérias sulfato-redutoras, o mercúrio sofre uma transformação química, tornando-se metilado, o que o torna numa potente neurotóxina. A descoberta foi divulgada, online, no dia 12 de Março, no “Journal Environmental Science and Technology”.

Enquanto a maior fonte de mercúrio neurotóxico provém da energia eléctrica das fábricas, pesquisadores da Universidade de Illinois, em Chicago, e da Urbana-Champaign, afirmam que o mercúrio ao entrar na água drenada de clínicas e consultórios dentários se transforma também numa fonte.<br>
«Encontrámos os níveis mais altos de mercúrio metilado algumas vez vistos numa amostra de água ambiental», contou o professor adjunto de engenharia ambiental na UIC e autor do estudo, Karl Rockne.
Ao trabalhar com James Drummond, docente de restauração dentária, na UIC, Rockne juntou amostras de desperdícios de água de tanques recolectores de uma cadeira de um consultório dentário e de 12 cadeiras de uma clínica, de forma a procurar mercúrio metilado.
As camadas limpas sobre as partículas estabelecidas foram, depois, analisadas, para verificar a presença de mercúrio metilado. Partículas finas de mercúrio de lenta sedimentação costumam ser despejadas para os resíduos de água, normalmente depois dos médicos dentistas usarem brocas de alta-rotação para remover antigos materiais de preenchimento dentário. As numerosas partículas que o berbequim liberta proporcionam uma ampla fonte de superfícies de mercúrio, tornando-as alvos para bactérias sulfato-redutoras, que vivem em condições anaeróbicas e estão relacionadas com o mercúrio metilado.
«Parece ser produzido parcialmente, se não totalmente nos resíduos de água, e está a ser gerado muito rapidamente», explicou Rockne, acrescentando que foi significante o facto de isto acontecer antes das partículas irem para os esgotos, onde a bactéria sulfato-redutora progride.
Baseados no estudo das amostras, os investigadores estimam que 2-5 quilogramas de mercúrio metilado possam estar a entrar no abastecimento público de água dos Estados Unidos cada ano, oriundos de desperdícios dos consultórios. Apesar de não parecer muito relevante, segundo os autores, o mercúrio metilado é altamente tóxico.
Embora surpreendido quanto ao nível de contaminantes encontrados no estudo, Rockne acredita que é necessário desenvolver mais investigações: «temos que tomar mais medidas para prevenir que este problema não aconteça». «Enquanto engenheiro, acredito que este problema é capaz de ser resolvido – alguma coisa podemos definitivamente fazer», concluiu.

 

 
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