Quantcast
OMD

Eleições OMD: frente a frente em três perguntas

O futuro da Ordem dos Médicos Dentistas decide-se no próximo dia 27 de junho. A SAÚDE ORAL colocou as mesmas três perguntas aos dois candidatos a bastonário da OMD.

 

Lista A, Miguel Pavão

 De que forma é que pretende unir a classe de profissionais de medicina dentária no período pós-pandemia, classe esta tão abalada por este acontecimento inesperado?

É verdade, a pandemia e as restrições que tivemos e estamos a implementar vieram expor as fragilidades da nossa classe profissional. Esta crise tornou evidente o que todos já sentíamos, a precariedade e a falta de acompanhamento que a classe tem tido durante os últimos anos. É muito difícil ouvir a Isabel Jonet dizer que houve colegas a ter de recorrer ao Banco Alimentar Contra a Fome; é chocante saber que depois de tanto investimento, de se tirar um curso altamente especializado e tão importante para a sociedade, os jovens médicos dentistas dão de cara com a precariedade e a emigração.

Fico desiludido em ter visto várias Ordens de diferentes profissionais de saúde a assumirem posições de defesa dos seus membros e a OMD esteve inerte, fazendo parecer que os médicos dentistas não são profissionais de saúde importantes.

O facto de a classe ter andado desunida, absorvida em pequenas questões, focada na vitimização e a fingir que nada se passava, foi, sem dúvida, também uma das razões para termos chegado onde chegamos.

A união dos médicos dentistas passa por atos, e a Ordem tem de começar por se aproximar dos colegas, apoiar os colegas, garantir que responde às dúvidas, sejam elas regulamentares, legais, de fiscalização, criar mecanismos como a Via Verde Bastonário e Via Verde Diretivo, para um acesso rápido e de responsabilização dos eleitos. Criar instrumentos que facilitem a vida dos colegas quando estão a criar uma clínica, quando têm de se preparar para uma fiscalização. A proximidade é o primeiro passo, quando todos começarem a sentir que a OMD cumpre a sua missão e que está lá para o que é preciso. O segundo é a transparência, os colegas têm de saber o que andamos a fazer e onde têm sido investidas as nossas quotas. Por outro lado, facilitar a decisão; é incompreensível ainda não haver voto eletrónico que permita a realização dos referendos previstos estatutariamente. Por outro lado, também é importante para a união da classe a reativação das delegações regionais, um tema muito referido nos webinars que temos feito com os colegas. Nós vamos unir a classe.

Quais têm sido as principais reivindicações que tem ouvido dos seus colegas ao longo da sua campanha e de que forma pretende dar-lhes resposta?

Há problemas mais imediatos, como o referente à nova normalidade que atravessamos, os procedimentos a ter, os custos e exploração à volta dos EPI, que carecem de uma ação rápida por parte da Ordem, que permita a organização e uma negociação em escala com os fornecedores. Mas, os mais reincidentes passam pela saturação do mercado, com muitos médicos dentistas; pela precariedade, com relatos de colegas a não terem um retorno justo pelos serviços que prestam; pela necessidade de negociar com as seguradoras por causa do problema dos atos médicos gratuitos e também pela crescente burocratização do setor, com o aumento do nível de exigência das diretrizes reguladoras.

Estas questões acabam por estar todas interligadas: os atos médicos gratuitos, a saturação do mercado, a burocracia e a precariedade, todas elas vão exigir de nós uma elevada capacidade negocial. Todas as entidades terão de ser envolvidas, com bom senso, mas nunca esquecendo que somos a Ordem dos Médicos Dentistas. Eu acredito que com empenho e confiança vamos conseguir mudar o rumo que a classe tem vindo a seguir.

Qual vai ser o objetivo prioritário do seu mandato caso chegue ao cargo de bastonário da OMD?

O nosso objetivo é melhorar e facilitar a vida aos médicos dentistas, trazendo um novo ânimo à OMD. Vamos mudar o rumo que a OMD tem seguido, assentes em quatro vetores estratégicos: defender a classe profissional, valorizar a profissão pelo ensino e formação, defender melhores políticas de saúde oral e restruturar a OMD pela proximidade. Já referi muitas das medidas para esta reestruturação, medidas que trarão mais transparência e, acima de tudo, proximidade. Já referi medidas para proteger a classe, como os gabinetes de apoio e a negociação com universidades e decisores políticos. A nossa profissão precisa de repensar, juntamente com as universidades, muitas coisas. Precisa de estruturar e dinamizar os Colégios de Especialidade, garantindo sempre os direitos de todos os colegas. E precisa também de se virar para fora, para a sociedade, e promover a melhoria das políticas de saúde oral, que promovam junto da população a relevância e dignidade do serviço que prestamos. Tudo isto resume o nosso objetivo prioritário, “Mudar com Confiança Pelo Futuro” da profissão.

Lista B, Artur Lima

De que forma é que pretende unir a classe de profissionais de medicina dentária no período pós-pandemia, classe esta tão abalada por este acontecimento inesperado?

Serei um bastonário presente, próximo de todos, capaz de reunir, de ouvir, de pressionar o Estado e de procurar soluções. Encabeço uma lista intergeracional, com pessoas de muito valor e experiências diversas, que estou certo de que tudo farão para que tenhamos uma OMD mais forte e coesa.

A nossa classe foi seguramente uma das classes profissionais mais abaladas neste período de pandemia, durante o qual fomos impedidos de trabalhar e em que todos sofremos inúmeras perdas a vários níveis. Além disso, somos também uma das classes profissionais com maior risco de contrair o vírus. Cabe à OMD, tanto quanto lhe é possível, criar condições e pressionar o Estado para uma retoma da atividade com condições de segurança para os profissionais em termos de saúde, mas também para minimizar os danos económicos.

O nosso programa contempla por isso uma série de medidas a pensar na covid-19, como, por exemplo, o aumento do valor do cheque dentista, a criação de uma central de compras e aumentar a influência da OMD junto das decisões do Governo e da DGS, entre outras que podem consultar em https://www.arturlimaomd2020.pt/docs/programa_lista_b.pdf.

Quais têm sido as principais reivindicações que tem ouvido dos seus colegas ao longo da sua campanha e de que forma pretende dar-lhes resposta?

Principalmente aspetos relacionados com os numerus clausus, valores impostos pelos atos mínimos praticados por algumas seguradores e planos de saúde; precariedade de trabalho, no caso dos mais jovens; e por fim as questões relacionadas com a reforma. Para todas estas questões temos propostas no nosso programa, sem demagogias e sem populismos, como por exemplo, classificar a profissão como profissão de desgaste rápido e garantir os respetivos apoios do Estado; atribuir benefícios aos médicos dentistas que contratarem colegas mais jovens; criar uma percentagem acrescida de rendimento para médicos dentistas sócios gerentes e/ou diretores clínicos; regular um nível de percentagem para médicos dentistas prestadores de serviços; criar o Fundo de Solidariedade, para casos de doença ou invalidez, e o Instituto dos Médicos Dentistas, constituído por trabalhadores por conta de outrem e prestadores de serviços em redes corporate, entre muitas outras.

Qual vai ser o objetivo prioritário do seu mandato caso chegue ao cargo de bastonário da OMD?

Além, obviamente, de implementar as medidas do programa que apresentamos, o meu principal objetivo é tornar a Ordem mais próxima e aberta para todos os médicos dentistas. Tal como ouvimos os anseios dos nossos colegas para elaborar este programa, é fundamental que a OMD tenha essa capacidade, para que possamos, enquanto equipa, ter uma noção rápida, adequada e real das necessidades dos colegas nos diferentes pontos do País e com isso garantirmos mais rapidez e eficiência de decisão.

Este site oferece conteúdo especializado. É profissional de saúde oral?