Biological Dentistry

Dominik Nischwitz: “Sou um viciado em saúde”

Dominik Nischwitz: “Sou um viciado em saúde”

É impossível ficar indiferente à segurança com que Dominik Nischwitz fala sobre medicina dentária biológica e tudo o que está à volta deste conceito. O médico dentista esteve pela primeira vez em Portugal a convite da White Clinic, onde deu um curso sobre Biological Dentistry. À SAÚDE ORAL explicou o porquê deste conceito.

Porquê apostar no conceito de Biological Dentistry?

Tudo começou com a minha própria saúde. Aos 20 anos comecei a ter consciência e a cuidar do meu corpo. Antes disso só queria ser skater profissional. Passava a vida em festas, a beber e a andar de skate. Mas estava doente várias vezes, com inflamações na garganta, nunca estava a 100%.

A certa altura comecei a interessar-me por nutrição e a preocupar-me com o meu corpo. Aprendi tudo sobre dietas, experimentei tudo para ver como podia melhorar o meu corpo. Parei de querer ser skater porque sou muito rigoroso. Se não fizer as coisas a 100% então não quero fazer. Passei a levantar pesos, fui para a universidade e não tinha tempo para andar de skate 8h por dia. Perdi o interesse.

Nessa altura ainda não tinha uma ligação à medicina dentária. Apesar do meu pai ser dentista, como passava o dia no consultório na minha cabeça ele estava sempre a trabalhar e não queria isso para mim. Até ao dia em que fiz serviço social num consultório dentário e o médico gostou de mim.

Concorri à universidade de medicina dentária por isso. Não sabia o que esperar, nunca visitei o consultório do meu pai. No início gostava muito do trabalho manual, mas até ao último semestre não sabia se a medicina dentária era a profissão certa para mim. Gostava da parte mecânica, mas faltava algo. Até que o meu pai disse que o curso era apenas a porta de entrada. Tudo o resto vem depois. Foi a melhor coisa que me podia ter dito.

E o que aconteceu depois de ter terminado a faculdade?

Estive dois anos como assistente antes de poder abrir a própria clínica. Sempre quis ser cirurgião e concorri para trabalhar ao lado de um bom cirurgião. Só que quando lá cheguei percebi que ainda estavam a fazer medicina dentária do século passado. Disse que não podia trabalhar daquela forma, com amálgamas, um material bastante tóxico.

Imediatamente tudo o que aprendi com nutrição e dietas e estilo de vida saudável começou a fazer sentido. Procurei na Internet tudo sobre o uso de amálgama, aprendi tudo sobre bioquímica e nutrição e consegui perceber a ligação. Percebi que podia começar a ajudar as pessoas. Naquela altura achava que quando começasse a retirar a amalgama das pessoas as ia curar, que iam voltar a ser saudáveis. Podia proteger os doentes com dieta apropriada e suplementos nutricionais, que sabia que iam ajudar e muitos pacientes melhoraram. Mas alguns não e não sabia porquê.

Também sou naturopata, tenho tantos conhecimentos além da medicina dentária e levei cinco anos a perceber que o meu lugar é na medicina dentária. Comecei a preocupar-me em melhorar a condição física dos pacientes e isso começou a entusiasmar-me. Era o que me realizava, além daquele trabalho mecânico. Tenho muitas histórias de pacientes que melhoraram de forma drástica, que tinham visto 20 médicos e nada melhorou. Até ao dia em que lhes retirei o stress crónico.

Como faz isso?

Primeiro temos de o diagnosticar. Hoje em dia os pacientes agendam uma consulta, enviam o RX panorâmico, preenchem um questionário médico e os níveis de colesterol. Depois analiso e faço um planeamento full mouth. Vejo se têm metais na boca, se há desvitalizações, se existem cavitações. O stress crónico é a doença do séc. XXI e é multifatorial.

Vejo o quadro por inteiro e aplico várias soluções. Como cirurgião estava à procura de um implante que fosse metal free. Não conseguia encontrar algo que não causasse interferência no organismo. Até que encontrei um médico na Suíça que fazia implantes de cerâmica e esta mesma biological dentistry e acompanhei o trabalho dele. A partir daqui nunca mais usei implantes, a não ser de cerâmica.

Qual a diferença entre titânio e cerâmica?

É totalmente diferente. Os implantes de cerâmica são biocompatíveis, neutros, não têm eletrões e nos dias de Wifi, Internet e micro-ondas, se tiver metal na boca é como ter uma antena na boca e no sistema nervoso. Como funciona à base de eletrões, sempre que o smartphone toca em vez do sinal ir do telefone para a torre de comunicações, fica na boca porque tem lá uma antena.

Há estudos que referem que se tiver implantes de titânio e usar rede 4G, o osso onde está colocado o implante vai aquecer até ao ponto de atingir uma temperatura considerada febre naquele local. No implante de cerâmica isto não acontece pois são neutros e são osteointegrados no osso. Tratamos o paciente de forma diferente. Para já apenas 1% dos implantes são de cerâmica, mas estimo que nos próximos anos apenas 1% vão ser de titânio. As pessoas têm medo das novidades e fazem o que o mainstream faz. A indústria é baseada no titânio, mas já começamos a ver as grandes empresas a apostar na cerâmica.

Para agendar uma cirurgia comigo aplicamos diferentes protocolos, que começam por mudar o estilo de vida do paciente. Este tem de alterar a dieta – desenhei um conceito denominado food design concept – que escrevi após vários anos a experimentar dietas. É um pequeno guia de dez páginas onde encontra 80% de tudo o que precisa saber. É o que o paciente lê antes da cirurgia.

Aplica o mesmo protocolo para todos os pacientes?

Não, o protocolo é individualizado, mas antes da cirurgia a dieta pode aplicar-se a qualquer pessoa. Estou a preparar uma aplicação – food design app – e há um protocolo que também criei de suplementação com micronutrientes, com elevadas doses de vitaminas. Imagine este cenário, com destes do siso: o que um dentista normal faz é tirar o raio X, marcar a cirurgia, fazer a incisão e remover o dente. No dia a seguir o paciente tem a cara inchada, dores e a situação resolve-se por si. Mas há pessoas que têm infeções e ninguém diz nada. E é por isso que se desenvolvem cavitações. É uma mistura entre a remoção agressiva do dente e a não preparação do paciente, que deve ser feita. Como não é uma cirurgia de emergência pode ser planeada. Nós planeamos com uma dieta adequada, nutrientes e a própria cirurgia é diferente.

Temos um protocolo cirúrgico que passa por uma preparação prévia e altas doses intravenosas de micronutrientes, vitamina C e magnésio, para dar um boost ao sistema imunitário. No dia da cirurgia damos um antibiótico intravenoso e tiramos sangue para as membranas PRF, mas enriquecidas com o shot de vitaminas rico em nutrientes. Fazemos a cirurgia minimamente invasiva, limpamos tudo, desinfetamos com ozono para eliminar fungos e parasitas, colocamos a membrana PRF, fechamos com pontos e deixamos cicatrizar.

(Entrevista na íntegra na edição de setembro/outubro da Saúde Oral)