Doença de chagas: Especialista luso-descendente lidera investigação

Apesar de ser inexistente em Portugal e uma raridade na Europa, a doença de chagas constitui um «importante problema de saúde» na Venezuela, onde o médico luso-descendente Juan Marques lidera as investigações.

Segundo o “Jornal de Notícias”, as investigações deste clínico e professor do Instituto de Medicina Tropical da Universidade Central da Venezuela, permitiram provar que, além do sangue de insectos infectados, a doença pode ser transmitida por via oral.
«Há 18 anos que investigo a doença de chagas que continua a ser um problema de saúde na Venezuela. Casos recentes de 'doenças agudas de chagas' voltam a pôr a doença no domínio público e demonstram uma vez mais a importância de ter cuidados adequados», afirmou o também director da Associação de Médicos Luso-Venezuelanos, filho de emigrantes naturais de Ansião (distrito de Leiria), em entrevista à “Lusa”.
Também conhecida por “enfermidade americana”, esta doença parasitária, tropical e crónica é provocada por um microorganismo flagelado, o Trypanosoma cruzi, do mesmo género do agente infeccioso que causa da doença do sono em África.
«As pessoas devem ter o cuidado de, quando virem o 'chipo' (insecto), não o matar porque a transmissão da doença se faz através do sangue que ao salpicar contamina as pessoas», aconselhou Juan Marques. «Pôr uma caixa de fósforos em cima do insecto e depois fechar é a melhor maneira de o apanhar», explicou.
Não obstante, o médico frisou que se uma pessoa for picada por um ‘chipo’ deve lavar abundantemente a área sem coçar, porque a defecação do insecto é responsável pela transmissão da doença e, se assim o fizer, as possibilidades de ser infectado são mínimas.
«Temos tido, este ano, casos de transmissão pela via oral, através de alimentos e sumos contaminados. É importante que as pessoas tenham maiores medidas higiénicas, lavem bem e descasquem as frutas antes de espremer o sumo», salientou o especialista.