Médicos dentistas

Dentistas reúnem-se em associação independente e organizam reunião nacional

Discutir os problemas do setor, criar sinergias entre os médicos dentistas e outros profissionais de medicina dentária e procurar parceiros institucionais são alguns dos objetivos desta nova associação, que pretende dignificar a profissão por “um futuro”. A primeira reunião nacional com entrada gratuita acontece em Coimbra, no próximo dia 8 de fevereiro.

Nasceu da necessidade de dar aos médicos dentistas uma voz ativa na luta pela dignificação da profissão, no contexto social e político. O conceito da Associação Independente de Médicos Dentistas (AIMD) começou a ser pensado em outubro do ano passado, “numa altura em que já há muito se discutia a necessidade de um ponto de viragem, do aparecimento de um novo movimento que colocasse a medicina dentária, de novo, no mapa dos problemas sociais por resolver”, defende o médico dentista Nuno Menezes Gonçalves, fundador e candidato à presidência da AIMD.

Nuno Menezes Gonçalves

Numa primeira fase, identificaram-se as pessoas com perfil e disponíveis para integrar este movimento. Num segundo momento, foi preparado um plano de atividades para o primeiro mandato, que será apresentado, juntamente com os estatutos, no próximo dia 8 de fevereiro, naquela que será uma reunião nacional destinada ao universo dos médicos dentistas portugueses e mais do que a apresentação desta associação e da equipa que a constitui. Afinal, este “é um movimento que pertence a todos”, diz Nuno Menezes Gonçalves.

Com entrada gratuita, o encontro está agendado para as 16 h, nas Torres do Arnado, em Coimbra. “Não será uma reunião meramente expositiva, também haverá espaço para um fórum de debate e acolhimento de novas ideias e de oportunidade para crescimento desta equipa.” Os principais focos são sensibilizar e informar.

Muito crítico em relação ao rumo que a medicina dentária tem vindo a tomar, Nuno Menezes Gonçalves considera que é preciso “dar resposta à inércia” e apela à Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) para que, em conjunto, “reconheça e abrace a batalha mais importante da história da nossa classe profissional: o futuro do médico dentista do século XXI”. Sintetizando num único objetivo a missão desta nova associação, que procura ser “um parceiro institucional da OMD, no contexto social e político”, o médico dentista sublinha a necessidade de “recuperar a dignidade e valorizar o ato médico”.

Além da constituição legal da AIMD e do acolhimento de associados, este será o ano de mobilização dos médicos dentistas às eleições da OMD no próximo mês de junho, “que pecam pelo histórico de uma elevadíssima taxa de abstenção”, sublinha o médico dentista. “Existe uma profunda desinformação e ainda maior desinteresse nos assuntos relacionados com a nossa ordem profissional”, denota o potencial futuro presidente da AIMD. A ele, juntaram-se Rute Miranda, Jorge Sousa, Vera Santos, Ricardo Mendes, Bruno Correia, Miguel Freitas e Catarina Granger, que organizaram aquilo que o responsável designa como “núcleo duro da associação”. O lema não podia ser mais claro e conciso: “Por um futuro.”

O médico dentista Nuno Menezes Gonçalves defende que a associação surge da necessidade de “recuperar a dignidade e valorizar o ato médico”

Mobilizar a classe profissional
Licenciado em 2012 na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, Nuno Menezes Gonçalves tem tido trabalho desde então, apesar de ter passado “por situações de subemprego e de exploração”. Com a ajuda dos pais, conseguiu concluir duas formações pós-graduadas em Implantologia e Periodontologia. Não tem clínica própria, trabalha em oito clínicas diferentes e assinala como um dos aspetos mais negativos da profissão o facto de os profissionais estarem “muito isolados uns dos outros, o que não ajuda ao diálogo e entreajuda entre pares”.

Neste processo, juntaram-se outros movimentos associativos, designadamente a Associação Portuguesa dos Médicos Dentistas dos Serviços Públicos (APOMED-SP), o futuro Sindicato dos Médicos Dentistas (SMD) e a Associação de Medicina de Proximidade (APCMG), com vista a criar sinergias e a definir as estratégias de mobilização da classe profissional. “Criámos uma página pública e um fórum privado que nos proporcionassem ouvir as pessoas e convidá-las a integrar este movimento. No espaço de dois meses, contabilizámos mais de mil pedidos voluntários de adesão ao fórum, um sinal claríssimo de que existe descontentamento na profissão e que se procuram soluções e porta-vozes”, partilha Nuno Menezes Gonçalves.

Com o lema “por um futuro”, a Associação Independente de Médicos Dentistas pretende ser uma voz ativa na luta pela dignificação da profissão, no contexto social e político

Como principais problemas do setor, o médico dentista enuncia os “tratamentos gratuitos, desemprego, exploração e subemprego dos médicos dentistas, concorrência desleal entre clínicas”. E explica: “Abrimos uma revista, vemos o telejornal, às vezes até num café ou num posto de correios, e somos bombardeados com publicidades de clínicas dentárias; falamos com um ou outro colega que estão a ser pagos com comissões de 18% ou até a trabalhar de graça, deparamo-nos com a distribuição de panfletos e cheques-oferta de tratamentos dentários, Chegamos ao ponto de ver cabeleireiros a fazer branqueamentos dentários e campanhas de retoma de próteses dentárias.”

Estes e outros problemas serão alguns dos pontos de discussão na reunião de 8 de fevereiro, em Coimbra.