Dentes de leite de 100 000 crianças estudados por Banco de Dentes” norueguês

NYU College of Dentistry: 1.8 milhões de dólares para identificar riscos das cáries na infância

O “Banco de Dentes Norueguês” está procurar recolher dentes de leite de 100 mil crianças naquele país, podendo, com efeito, vir a tornar-se o maior “Banco de Dentes” do mundo, divulgou, no dia 2 de Abril, o blog “Net News Publisher”, citado pela agência “Reuters”.

O novo “Banco de Dentes”, MoBa Tann, desafia, assim, todos os pais a depositarem um ou mais dentes de leite dos seus filhos, quando estes atingem os seis anos e nove meses de idade.
«Estamos a pedir um ou mais dentes por cada criança. Os pais que pretendam contribuir devem cuidar do dente, limpando-o em água limpa e deixando-o secar durante a noite. O dente deve ser mantido seco até que o convite do Banco de Dentes chegue aos correios», explicou Helene Meyer Tvinnereim, da Universidade de Bergen.
Este é um sub-projecto da Norwegian Mother and Child Cohort Study (MoBa) e, ainda, um projecto do Instituto de Saúde Pública Norueguês em colaboração com a Universidade de Bergen.
Esta iniciativa assenta na ideia de que o estudo de dentes decíduos faculta informações relevantes quanto à influência de factores ambientais e nutricionais durante a gestação e a infância.
Neste sentido, o MoBa tem vindo a armazenar uma grande quantidade de informação relativa à dieta e ao ambiente durante a gravidez de cada mãe, através de questionários, bem como através da realização de análises ao sangue e à urina aos respectivos pais.
As crianças são, posteriormente, acompanhadas durante o seu crescimento, também através de uma série de inquéritos. Esta informação, em adição ao estudo dos dentes de leite, permitirá alcançar uma maior compreensão sobre os efeitos da poluição ambiental na saúde das crianças.
De facto, os dentes de leite iniciam o seu desenvolvimento durante a gestação e infância. As substâncias que se produzem durante o desenvolvimento dentário ali permanecerão, tornando os dentes decíduos uma espécie de “caixa negra” que grava tudo aquilo a que a mãe e o filho estiveram expostos.
Uma vez que os dentes de leite possuem uma durabilidade quase ilimitada (se reservados secos), o valor daqueles permanecerá intacto para futuras investigações. «Os dentes de leite no Tooth Bank podem, portanto, ser úteis durante centenas de anos», salientou a líder do projecto.
«Globalmente, o Banco de Dentes será único devido à grande quantidade de informação obtida no MoBa. Se conseguirmos recolher dentes de leite de 100 mil crianças, seremos definitivamente o maior no mundo», afirmou Helene Myer Tvinnereim.
Os dentes de leite recolhidos serão depois conservados em envelopes, guardados dentro de caixas seguras, na Universidade de Bergen, permanecendo anónimos, sendo apenas identificados através de um código de barras.