Entrevista

David Ângelo: “Estou a conduzir dois estudos piloto com próteses da ATM minimamente invasivas”

No passado dia 29 de setembro, durante a entrega dos Prémios Saúde Oral 2016, o médico estomatologista David Ângelo subiu ao palco receber o Prémio Inovação Investigação conquistado com a investigação do Biodisco para Articulação Temporomandibular. Quisemos saber o que representa a conquista do troféu e quais os projetos para o futuro.

O que representa para si vencer o Prémio Inovação Investigação?

Considerando que Portugal apresenta índices  Europeus muito baixos na área de Investigação, fico feliz por receber este prémio. Dou muita importância à investigação e, para mim, a clínica sem investigação não faz sentido! Num país onde há poucos apoios para Investigação torna-se difícil fazer trabalhos de qualidade porque custam muito dinheiro. Arrisquei bastante quando pedi um empréstimo bancário para pagar um curso que me desse acreditação europeia para conduzir investigação animal. Depois foram quatro anos dedicados a este projeto e por isso, quando olho para trás, fico contente com o percurso que já fiz. Ganhar este prémio representa uma enorme satisfação pela decisão tomada. Dedico este prémio ao Professor Joaquim Ferreira, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, que foi o meu mentor no desenho do estudo. Deu-me muitos conselhos importantes para chegar a esta fase.

Como tem sido o seu percurso na medicina e porque escolheu esta área?

Quando fiz o internato geral no Hospital de Santo António – Porto tive oportunidade de fazer um estágio no Serviço de Estomatologia. Nessa altura fiquei fascinado com a complexidade de algumas patologias oromaxilares e a sua relação com os doentes que estava habituado a ver nas enfermarias. Foi nesse momento que decidi escolher esta especialidade. Comecei a ganhar interesse pela área da dor orofacial e pelas disfunções da ATM e foi devido à necessidade de tratar doentes com disfunções da ATM severas que decidi tentar desenvolver um biodisco. Hoje dedico grande parte do meu tempo a tratar doentes com disfunções da ATM.

E projetos para o futuro?

Neste momento estou muito focado no desenvolvimento do biodisco para a ATM. No entanto há tempo para tudo e por isso, paralelamente, estou a conduzir dois estudos piloto com próteses da ATM minimamente invasivas. Estou também a participar num projeto de bioengenharia complexa aplicada à regeneração de diversas estruturas celulares numa só matriz. Imagine que perde um dente. Em vez de um implante colocam uma scaffold com a anatomia do dente e em 3-6 meses tem um dente vital. Inacreditável? Em 15 anos será assim! Espero poder contribuir nesse sentido.

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