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Barómetro Nacional de Saúde Oral

Crise restringe acesso dos portugueses a cuidados de saúde oral

OMD reconhece excelência do trabalho realizado nos Açores

As conclusões do primeiro Barómetro Nacional de Saúde Oral apresentados durante a cerimónia oficial de abertura do XXIII Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, que decorre até amanhã (8 de novembro) na Exponor, mostram que 70% dos portugueses têm falta de dentes naturais e que mais de 20% têm falta de pelo menos dez dentes, sendo que 7% da população não tem qualquer dente natural. Segundo a OMD, a crise económica tem restringido o acesso dos portugueses a cuidados de saúde oral.

O estudo mostra que 48,8% dos inquiridos afirma realizar um check-up dentário menos de uma vez por ano e que 29,5% não vão ao médico dentista ou apenas vão em caso de urgência ou dor.

Entre os que responderam ao barómetro, 20,9% diminuiu o número de visitas ao médico dentista no último ano e a questão monetária é o principal motivo evocado para não ir ao dentista, havendo ainda 8,3% de portugueses que nunca foram a uma consulta de medicina dentária.

O estudo mostra também que 56,1% dos portugueses que têm falta de dentes naturais não têm nada a substituí-los. Apenas 7,7% têm dentes substitutos fixos, sendo que os restantes 36,2% possuem prótese. Metade dos inquiridos admite que já sentiu dificuldades em comer e/ou beber devido a problemas na boca e nos dentes e 18% confessa que já se sentiu envergonhado por causa da aparência dos seus dentes.

Para o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva “os resultados do barómetro demonstram que ainda há muito a fazer pela saúde oral dos portugueses. Ainda não há consciência plena do efeito que as doenças da boca têm na saúde em geral dos portugueses. Doenças como diabetes, cardiovasculares, infeções, são muito influenciadas pela saúde oral. As pessoas continuam a adiar as consultas de medicina dentária e isso significa que quando vão ao médico dentista já têm situações graves. O número de desdentados é extramente elevado e isso inibe uma alimentação correta, pondo em causa toda a saúde.”

Mulheres têm taxas de hábitos de higiene oral superiores aos homens

O relatório revela ainda que os portugueses têm hábitos de saúde oral básicos e que são poucos os que têm hábitos mais sofisticados. Se 97,3% afirma ter por hábito escovar os dentes, 54,4% revela que não usa elixir e 76,2% admite não usar fio dentário. Dos que escovam os dentes, 72,7% fazem-no duas ou mais vezes por dia. Para além disso, são as mulheres quem apresenta taxas de hábitos de higiene e limpeza maiores.

“A falta de dentes naturais, com exceção dos dentes do siso, está correlacionada com o hábito de escovar os dentes, na medida em que quantos menos dentes naturais possui quem respondeu, menores são os seus hábitos de higiene”, explica o barómetro.

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