Congresso SPEMD: congregação de profissionais

Congresso SPEMD: congregação de profissionais

O já tradicional Congresso Anual da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) decorreu nos dias 19 e 20 de Outubro, tendo como cenário a Fundação Dr. António Cupertino de Miranda. Com o objectivo de contribuir para a actualização permanente, mostrando os novos avanços da profissão e promovendo o intercâmbio de experiências e troca de opiniões, reuniram-se na Invicta cerca de 500 participantes, entre médicos dentistas, estomatologistas, higienistas orais e assistentes dentários.

Do programa científico diversificado fizeram parte as apresentações “Diagnóstico, preparação e planeamento de casos cirúrgicos pela Análise Geométrica”, a cargo de Carlos Dias; “Cirurgia Ortognática – âmbito e perspectivas”, proferida por Horácio Monteiro da Costa; “Considerações clínicas, biológicas e biomecânicas dos implantes dentários”, pelo periodontista e implantologista italiano Andrea Parpaiola; e “Restaurações estéticas minimamente invasivas”, apresentada por Ivo Krejci, vice-presidente Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Genebra, na Suiça.

No segundo dia de trabalhos, os congressistas debruçaram-se sobre a problemática das doenças da boca, tendo Isaac van der Waal, director do departamento de Cirurgia Oral e Maxilofacial da ACTA – Vrije Universiteit Amesterdam, na Holanda, abordado a “Patologia das Glândulas Salivares” e os “Quistos e tumores odontogénicos” e Genilson Silva Neto, médico dentista, explicado a reabilitação oral com recurso ao sistema Procera.

Apresentação à sociedade científica

José Pedro Figueiredo, presidente da Comissão Organizadora, salientou ainda «o momento em que os profissionais portugueses se apresentam perante a sociedade científica através de posters – este ano, cerca de 40 – ou de comunicações livres sobre casos clínicos completos – cerca de 20».

Houve ainda lugar para cursos dirigidos a higienistas orais e assistentes dentários, que contaram com aproximadamente 70 participantes. O responsável realçou a importância destas formações, já que considera que a profissão, cada vez mais, tende a funcionar «em equipa». Em seu entender, o exercício clínico da Estomatologia e da Medicina Dentária passa a ser «difícil de se compreender sem a integração, a bom nível profissional, dos higienistas orais e os assistentes dentários».

Dando continuidade à máxima de que a SPEMD é um «elemento agregador de sensibilidades e de vertentes da actividade profissional da Estomatologia e da Medicina Dentária», o próximo Congresso realizar-se-á em Coimbra, a 17 e 18 de Outubro.

«Melhorar os índices de saúde oral»

À SAÚDE ORAL, em declarações à margem do XVII Congresso da SPEMD, José Pedro Figueiredo, presidente daquela sociedade científica, reiterou que deveria haver uma política para a saúde oral no nosso país.
Fruto da sua participação no Mês da Saúde Oral, a SPEMD acumula já «70 mil rastreios» e tem a noção de que há «fracções muito significativas da população que não dispõem de acesso a cuidados qualificados, com défices muito marcados de higiene oral, alta incidência de cáries, falta de tratamentos dentários e/ou perda de dentes em todas as faixas etárias». Daí que a SPEMD não pense «calar-se perante aquilo que acreditamos ser uma necessidade óbvia do país: melhorar os seus índices de saúde oral».

Entre as medidas propostas pela entidade a que preside, José Pedro Figueiredo enuncia «como mais exequível» o alargamento do número de cidadãos portugueses com acesso aos cuidados nesta área. Em seu entender, «as estruturas públicas oferecem resposta a uma camada muito pouco significativa da população, pelo que a solução natural é o estabelecimento de parcerias entre o Estado e a capacidade privada instalada, através do grande número de consultórios existentes em Portugal».

Sublinhando a importância da actividade privada no nosso país, que «tem conseguido responder às necessidades de praticamente metade da população», o dirigente considera que os profissionais da área estão dotados de capacidade suficiente para responder às exigências: «o que entendemos é que devemos alargar esse âmbito, de forma a abranger uma maior fatia de cidadãos».

Referindo-se ao exemplo espanhol, em que as crianças entre os sete e os oito anos de idade terão acesso a consultas gratuitas realizadas nos consultórios, em que uma parte do custo é suportada pelo Governo Central e a outra pelos Governos Autónomos, José Pedro Figueiredo classificou-o como um «modelo interessante», já que lhe parece uma solução que «vem ao encontro do que defendemos há alguns anos em Portugal, de que se deve usar a capacidade instalada da actividade privada». No entanto, salientou que «devem ser praticados preços justos em relação a este tipo de actividades».

Num futuro próximo, o dirigente da SPEMD espera concretizar o objectivo primordial de «melhorar a saúde oral dos portugueses».