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Cigarros eletrónicos apontados como causa da morte de seis pessoas nos EUA

Nos Estados Unidos da América está a ser investigada a morte de uma mulher depois de ter utilizado cigarros eletrónicos [1]. De acordo com a imprensa internacional, a vítima morreu depois de os seus pulmões se terem enchido de líquidos e as autoridades do país já estão a pedir aos consumidores que não usem cigarros eletrónicos.

Esta é já a sexta morte nos EUA relacionada com complicações pela utilização de cigarros eletrónicos. Além disso, as autoridades do país estão já a estudar outras 478 pessoas que desenvolveram complicações respiratórias devido a este tipo de dispositivos.

Na semana passada, quando foi anunciada a terceira morte, as autoridades norte-americanas pediram para que a população deixasse de usar estes produtos enquanto decorrem as investigações. “Embora não saibamos quais as substâncias prejudiciais, é importante que as pessoas saibam que, ao usar estes produtos, não sabem tudo sobre o que estão a inalar e os danos que isso pode provocar”, afirmou Kris Box, responsável pelo Departamento de Saúde do Indiana.

De acordo com a imprensa internacional, os pacientes que acabaram por morrer queixavam-se de falta de ar, tosse, dor no peito, episódios de vómitos, diarreias, fadiga, febre e perda de peso. A origem do problema pode ser o uso de óleos de produtos com THC, uma substância psicoativa da canábis. “Nós não ligamos nenhum desses ingredientes específicos aos casos atuais, mas sabemos que o aerossol emitido por estes cigarros não é inofensivo. Em alguns casos, isso pode ter ocorrido, mas agora estamos a monitorizar. Temos de continuar com a investigação”, diz o Centro de Controlo de Doenças (CDC). [2]

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) emitiu esta quarta-feira (11 de setembro) um comunicado em que explica que “até ao momento não se conhecem casos semelhantes fora dos EUA. No entanto, dada a grande disseminação destes produtos e fácil acessibilidade, é provável que surjam noutros países, incluindo Portugal.”

“Embora a investigação relativa a este surto se mantenha em curso, a SPP reitera a convicção de que a melhor forma de proteger a saúde respiratória é respirar ar limpo. A inalação de compostos químicos presentes no vapor dos cigarros eletrónicos representa um risco real”, acrescenta a organização, referindo ainda que “os consumidores de cigarros eletrónicos que desenvolvam sintomas respiratórios agudos devem procurar o médico e fornecerem-lhe informação sobre o produto que consomem”.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) também já se pronunciou e em declarações à TSF recomenda que não se fumem cigarros eletrónicos. Emília Nunes, diretora do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, explica que “a DGS recomenda aquilo que sempre recomendou: que as pessoas não consumam tabaco, nem tabaco aquecido, nem cigarros eletrónicos. Nenhum destes produtos é seguro e nenhum é bom para a saúde das pessoas.”

Emília Nunes disse ainda que “os cigarros eletrónicos são particularmente perigosos durante a gravidez, para adolescentes ou pessoas com doenças crónicas, com diabetes e doenças cardiovasculares”.

Em maio deste ano, também a Ordem dos Médicos Dentistas [3] pediu “um maior controlo na comercialização de cigarros eletrónicos e a proibição de qualquer tipo de publicidade, incluindo publicidade encapotada nas redes sociais” a este tipo de produto.

O bastonário da OMD, Orlando Monteiro da Silva, denunciava “a falta de regulação sobre estes cigarros eletrónicos, que não permite saber qual a composição dos líquidos, que é diversa e muito variada. Sabe-se que contém substâncias como propilenoglicol, glicerina e, claro, nicotina, e já foram detetados carcinógenos, como aldeídos, carbonatos e metais pesados”.

“A população não está suficientemente alertada para os riscos dos cigarros eletrónicos, apresentados pelas tabaqueiras como sendo de menor risco que o cigarro tradicional. O menor risco, que ainda não está sequer provado que assim seja, não significa que estes cigarros eletrónicos sejam inócuos para a saúde, muito pelo contrário. A nicotina é inalada e os estudos científicos que existem sobre o consumo destes cigarros eletrónicos mostram que os seus consumidores têm maior probabilidade de apresentar xerostomia (boca seca), estomatite, língua pilosa ou queilite angular. O consumo destes cigarros eletrónicos contribui ainda para a progressão da doença periodontal (da gengiva)”, explicou.