Investigação

Cientistas encontram efeitos prejudiciais associados ao ‘vaping’

A inalação de vapor dos cigarros eletrónicos está relacionada com o aumento da probabilidade de desenvolver asma e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Segundo revelado por cientistas, o fumo e o ‘vaping’ aumentam em seis vezes a hipótese de desenvolver DPOC, quando em comparação com pessoas que não utilizaram qualquer produto.

Dados da Asthma and Allergy Foundation of America indicam que a asma afeta cerca de 25 milhões de americanos, e o Healthline – um site americano e provedor de informações sobre saúde – reporta que cerca de 16 milhões de americanos sofrem de DPOC. O tabagismo é indicado como o causador destas doenças, que segundo a OMS, estão a aumentar por todo o mundo.

Para investigar estas doenças em relação ao uso dos cigarros eletrónicos, foram realizados dois estudos, aplicando dados do Behavioral Risk Factor Surveillance System, uma pesquisa telefónica realizada pelo governo federal.

O primeiro estudo – The association between e-cigarette use and asthma among never combustible cigarette smokers: Behavioral risk factor surveillance system (BRFSS) 2016 and 2017 –, publicado na BMC Pulmonary Medicine, incluiu 402 822 pessoas que não eram fumadoras de cigarros tradicionais, das quais mais de três mil referiram o uso de cigarros eletrónicos e mais de 34 mil indicaram ter asma.

“Embora os cigarros eletrónicos possam vir a ser mais seguros em geral do que os cigarros combustíveis tradicionais, os estudos acrescentam evidências crescentes de que representam riscos à saúde”, disse Michael Blaha, professor de medicina da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins (JHUSM) em Baltimore, Estados Unidos da América, citado pela publicação Dental Tribune International. “Estes estudos são os primeiros de uma série de estudos maiores e de longo prazo que fornecerão provas mais definitivas para informar os fumadores e os reguladores”, continuou.

Daqueles que fumaram cigarros eletrónicos, quase 11% reportaram ter asma, em comparação com 8% que nunca tinham utilizado estes cigarros. Os fumadores ocasionais e diários de cigarros eletrónicos apresentavam 31% e 73%, respetivamente, mais probabilidade de referir asma do que os não utilizadores.

No segundo estudo – Association between e-cigarette use and chronic obstructive pulmonary disease by smoking status: Behavioral risk factor surveillance system 2016 and 2017, publicado no American Journal of Preventive Medicine, com mais de 700 mil entrevistados, cerca de 61% indicaram nunca ter fumado um cigarro, 9% eram fumadores e 30% eram ex-fumadores. Ainda, mais de 3% indicaram utilizar e-cigarettes e 2% fumavam ambos, cigarros eletrónicos e tradicionais.

Dos que disseram que usavam e-cigarettes, cerca de 11% indicaram sofrer de bronquite crónica, enfisema ou DPOC, em comparação com 5,6% das pessoas que disseram que nunca tinham fumado estes cigarros. Além disso, os atuais fumadores de e-cigarettes tinham 75% mais probabilidade de relatar ter DPOC em comparação com aqueles que nunca fumaram.

Quanto aos que fumam ambos, têm quase seis vezes mais probabilidade de ter DPOC, em comparação com os que nunca fumaram, enquanto fumar apenas cigarros tradicionais aumenta as probabilidades em três vezes.

“Como médico, estou mais preocupado com aqueles que usam tanto cigarros eletrónicos como tradicionais, porque podem acabar por ingerir maiores quantidade de nicotina, o que pode causar mais danos”, disse o autor principal, Albert Osei, pós-doutorando da JHUSM.