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Investigação

Cientistas descobrem o que está na origem da relação entre a periodontite e outras doenças

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Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Toronto, no Canadá, deu passos importantes na descoberta do que está por detrás da relação entre a periodontite e outras doenças infeciosas, como doenças cardíacas e a diabetes. O motivo tem que ver com própria resposta imunológica hiperativa do corpo.

Estado hiperativo

De acordo com Howard Tenenbaum, professor da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Toronto e um dos autores do estudo, “existem correlações estatisticamente significativas entre a periodontite e doenças sistémicas, que variam da diabetes a doenças cardiovasculares “.

Para descobrir o que está na origem dessa relação, os investigadores concentraram-se no comportamento das células ativadas, principalmente por doenças gengivais – neutrófilos, que são células do sistema imunológico inato.

Através de modelos in vivo, os investigadores descobriram que o sistema imunológico liberta uma grande quantidade de neutrófilos para combater as infeções bacterianas responsáveis pela periodontite, mais conhecida como doença da gengiva.

Neste caso, observa-se um efeito sistémico: quando há uma inflamação periodontal, circula uma superabundância de neutrófilos e o sistema imunitário hipervigilante, por sua vez, responde com um excesso de força a qualquer infeção secundária. “É quase como se esses glóbulos brancos estivessem em segunda marcha, quando deveriam estar em primeiro”, afirma Michael Glogauer, professor da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Toronto e autor do estudo.

Ora, com o sistema imunológico pronto para combater as infeções bacterianas, qualquer infeção secundária faz com que essas células imunológicas destruam os tecidos e órgãos afetados.

“Os neutrófilos são muito mais propensos a libertar citocinas muito mais rapidamente, levando a resultados negativos”, acrescenta Glogauer.

Saúde oral é a chave para a saúde em geral

Os resultados do estudo sublinham a importância da saúde oral como um indicador vital de potenciais complicações para outras condições inflamatórias, bem como os resultados do modelo de doença.

“Acreditamos que este é o mecanismo pelo qual a higiene oral pode ter impacto na vulnerabilidade a desafios de saúde secundários não relacionados”, refere o principal autor do estudo, Noah Fine.

O estudo pode conduzir também a novas perspetivas sobre a doença de covid-19, uma vez que “existem evidências de que pacientes com periodontite podem ter muito mais probabilidade de ter mais problemas com covid-19”, explica Glogauer.

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