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Cheques-dentista: Medida pouco divulgada junto da população idosa

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Dos mais de 10.600 cheques-dentista emitidos desde 1 de Junho, pouco mais de 10% abrangeram a população idosa. Face a esta situação, a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) alerta para uma maior necessidade de divulgação.

Curioso é que a população acima dos 65 anos, com acesso a consultas dentárias pagas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) é superior à de grávidas – são 90 mil os idosos abrangidos pelo Programa Nacional de Saúde Oral, enquanto que no caso das grávidas estão em causa 65 mil.
De acordo com dados relativos a mais de dois meses de aplicação da medida, e segundo o “Jornal de Notícias”, foram emitidos 10.653 cheques, dos quais apenas 1.219 foram entregues a idosos.
«O cheque-dentista necessita de um grande esforço de divulgação no que aos idosos diz respeito», salientou o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro da Silva, que sugeriu mais informação da parte da Segurança Social e das instituições de solidariedade social.
E Orlando Monteiro da Silva exemplificou o desconhecimento das populações com uma história que se passou com ele próprio. Certo dia, ao chegar à sede da OMD, foi abordado por um idoso que, ao saber da existência daquele organismo, queria saber se tinha direito a cheques-dentista.
No que respeita às grávidas, foram emitidos 9.434 vales para consultas dentárias. Desses, 8.470 são «primeiros» cheques (uma grávida tem direito a um máximo de três, de 40 euros cada), 686 segundos cheques e 278 terceiros. Já os idosos, que podem ser contemplados com dois vales anuais com o mesmo valor, receberam 1.111 primeiros cheques e 108 segundos.
Verifica-se, também, uma grande disparidade entre os cheques emitidos e os efectivamente utilizados (apenas 3.471). «Algumas pessoas não se dirigem imediatamente aos profissionais de saúde para obterem tratamento», elucidou Orlando Monteiro da Silva, que acrescentou haver casos de médicos que «não registam os tratamentos imediatamente após as consultas no sistema informático».
Tendo em conta a distribuição do Programa Nacional de Saúde Oral por regiões, verifica-se uma larga vantagem do Norte. Dos 9.581 primeiros cheques emitidos, quase metade – 4.212 – correspondem a esta região.
Seguem-se as zonas de Lisboa e Vale do Tejo, com 2.653 vales, e do Centro, com 2.021. O Alentejo emitiu 259 e o Algarve, região com a mais alta taxa de natalidade, 436. Da mesma forma, no que toca a vales utilizados, a região Norte também está à frente, com 1.084 cheques cativados.
Apesar das discrepâncias nos números, o bastonário da OMD destaca a crescente adesão da população em dois meses de programa. Além disso, lembra que este deveria ser estendido às crianças abrangidas pela saúde oral escolar, um programa que chega ainda a muito poucas, sobretudo em tenras idades, alturas em que se pode trabalhar na prevenção e evitar o desenvolvimento de cáries.