Saúde Oral

Bastonário da OMD insiste em maior aposta na prevenção e volta a pedir alargamento do cheque-dentista

Bastonário da OMD insiste em maior aposta na prevenção e volta a pedir alargamento do cheque-dentista

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) voltou a defender a necessidade de se apostar na prevenção em saúde oral em detrimento de uma abordagem direcionada exclusivamente para o tratamento. De acordo com a Lusa, estas declarações surgem como resposta a um estudo publicado na revista The Lancet, que conclui que a saúde oral está há demasiado tempo separada da política global de saúde e que é preciso reforçar as medidas contra os fatores de risco.

Orlando Monteiro da Silva voltou a lembrar que o programa do cheque-dentista ainda não abrange crianças com menos de seis anos e diz considerar “inadmissível” que as políticas de saúde estejam mais viradas para o tratamento da doença e não para a prevenção.

“É inadmissível que o programa nacional de saúde oral, na vertente cheque-dentista, não contemple as crianças abaixo dos seis anos. Estamos a deixar que as crianças até essa idade não tenham qualquer acompanhamento em termos de saúde oral”, defende o bastonário da OMD.

O bastonário acredita que é essencial acompanhar as crianças desde o momento em que surge a dentição temporária, recordando que esta dentição “merece exatamente a mesma atenção do que a dentição definitiva. Quando se instala a cárie dentária na dentição de leite ela vai-se transmitir para a dentição definitiva”.

Orlando Monteiro da Silva acrescentou ainda que o programa do cheque-dentista “elimina os atos abrangidos pela profilaxia, como o controlo da placa bacteriana e a higienização, as destartarizações e as limpezas fundamentais para a prevenção” e que “há um conjunto de hábitos em termos de consumo de açúcar, escovagem de dentes e aporte de fluor tópico que são fundamentais começar a incutir desde cedo para apostar nessa prevenção”.

O bastonário da OMD comentou, também, a integração dos médicos dentistas nos centros de saúde do SNS, afirmando que foi “um passo positivo”, mas que é preciso mais (a medida está a ser aplicada em apenas cerca de cem centros de saúde).

No início deste ano, foram divulgados dados que apontam para uma queda na utilização dos cheques-dentista, apoio prestado pelo Estado. Em 2018, cerca de 200 mil cheques-dentista ficaram por utilizar, com a taxa de utilização a cair para os 69,3%.