SPDOF

André Mariz de Almeida: “O futuro passa pela entrada da genética na DTM”

O II Congresso da Sociedade Portuguesa de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SPDOF) realiza-se nos próximos dias 18 e 19 de março, em Lisboa, subordinado ao tema ‘Dor Orofacial e Disfunção Temporomandibular: O Futuro’. Para saber o que nos reserva a organização, a SAÚDE ORAL falou com André Mariz de Almeida, Presidente da Comissão Organizadora do II Congresso SPDOF.

O que está a ser preparado para a segunda edição do Congresso da SPDOF?

A segunda edição representou em enorme desafio depois do incrível sucesso da primeira edição, em Coimbra. Este ano, no II Congresso da SPDOF vamos falar do futuro da Disfunção temporomandibular e dor orofacial. Temos dois auditórios com palestrantes de diversas áreas, mantendo a interdisciplinaridade tão característica da SPDOF. Em termos de palestrantes temos referências nacionais e internacionais já muito estabelecidas, que embarcaram de imediato nesta aventura, mas também as novas estrelas desta área de Norte a Sul do país, com trabalhos inovadores que irão ser apresentados.

Este ano pedimos ao Professor Eduardo Januzzi, uma referência mundial da Dor Orofacial, para viajar do Brasil e preparar um workshop sobre viscosuplementação, demonstrando os incríveis resultados publicados sobre esta terapêutica na ATM. E temos igualmente o Professor Mariano Rocabado e o seu workshop sobre Disfunção temporomandibular e relação craneomandibular.

Outra inovação será a possibilidade de todos os profissionais de saúde partilharem os seus trabalhos relativamente a esta temática através de comunicações orais ou posters. E ficámos bastante satisfeitos com a adesão de todas as especialidades com trabalhos de elevada qualidade a serem submetidos, elevando assim o nível científico do congresso.

Na sua opinião, a que se deve o sucesso da primeira edição?

Quando fundámos a SPDOF sabíamos que havia um grande vazio científico e separação de profissionais nesta área. Mas posso dizer-lhe que fomos apanhados de surpresa com o sucesso da I edição do congresso. O que nos deixou ainda mais felizes que o êxito do congresso foram as relações profissionais e cientificas que se estabeleceram de Norte a Sul do país e mesmo internacionalmente, o que permitiu que este ano desenvolvêssemos várias ações para aproximar todos os profissionais e sensibilizá-los para a necessidade de um trabalho em equipa e multidisciplinar.

O sucesso deve-se a um grande trabalho de uma excelente equipa e, para mim, o congresso foi como uma convocatória a todos os profissionais para a formação de uma massa crítica e coesa nacional para a abordagem da Dor orofacial e da disfunção temporomandibular.

O que estão a preparar para surpreender os participantes este ano?

O tema deste congresso é o futuro da DTM e da dor Orofacial, como tal construímos o programa científico, em conjunto com a Comissão Cientifica encabeçada pelo Prof. Doutor Sérgio Félix, de forma a ser altamente inovador e ao mesmo tempo com grande aplicabilidade na prática clínica. Pedimos aos palestrantes para revelarem quais as guidelines, protocolos e indicações que têm para toda a temática da DTM e Dor Orofacial. A grande surpresa deste congresso é a inovação que irá ser apresentada em cada palestra, workshop ou comunicação realizada.

Outra grande surpresa será o segundo livro da SPDOF, sobre Farmacologia na DTM e Dor Orofacial e posso dizer que está muito prático, e irá com certeza ser um manual incrivelmente útil. Devo salientar que conseguimos profissionais nacionais e internacionais de altíssimo nível científico para este livro, o que demonstra a credibilidade e capacidade da SPDOF. O livro constitui uma imagem de marca dos nossos congressos, sendo oferecido gratuitamente a todos os congressistas, numa demonstração da capacidade executiva de uma sociedade tão jovem como a nossa.

Quais os pontos altos que gostaria de destacar?

Quando pensamos no programa ideal na construção de um congresso sabemos que temos de fazer algumas concessões. Neste caso, o nosso programa ideal é o nosso programa final, temos todas as temáticas que queríamos, todas as especialidades e todos os palestrantes.

É impossível não destacar os palestrantes internacionais e a enorme honra de ter o Professor Manfredinni, uma das pessoas que mais investiga e publica no mundo relativamente a DTM; o Professor Mariano Rocabado uma referencia mundial em fisioterapia; o Professor Jacinto San Roman acerca da utilização de PRP na ATM; o Professor Paulo Cunali internacionalmente conhecido na área do sono; o Professor Eduardo Januzzi e o Workshop de viscosuplementação e o Mestre Rafael Tardin, que vai relacionar a fisioterapia pré e pós cirurgia de ATM.

Tenho igualmente de destacar as maiores referências nacionais como o Professor João Caramês; Professor Afonso Pinhão Ferreira; Professor António Mano Azul; Professor Sérgio Félix; Professor Doutor Ricardo Dias; Professor João Paço; Professor Francisco Salvado; Professora Teresa Paiva entre tantos outros que nos vão falar sobre Sono, DTM, Bruximo, Dor Orofacial, Acupunctura, Farmacologia, Psicologia, Enfermagem, Cirurgia, Fisioterapia, Imagiologia, Reumatologia, Terapia da Fala entre outras temáticas e sempre entra a inter-relação entre as diferentes especialidades.

O que se destaca atualmente nesta área da disfunção temporomandibular?

Atualmente os profissionais que se dedicam à DTM já estão a trabalhar, na sua grande maioria, em equipa e essa foi a grande evolução dos últimos tempos, a integração entre a Medicina Dentária, a Cirurgia Maxilofacial, a Fisioterapia, a Psicologia, a Terapia da Fala, a Acupuntura, a Neurologia, entre outras.

Tenho que destacar a viscossuplementação da ATM para tratamento da patologia degenerativa tal como já era feito para outras articulações. Hoje em dia, o que procuramos especificamente é a funcionalidade da ATM, mais do que a procura constante da oclusão ideal, devemos procurar sempre o conforto do doente seguindo a fisiologia da ATM.

O futuro é sem dúvida a entrada da genética na DTM, para percebermos e prevermos o que se vai passar com o nosso doente.

Os médicos dentistas já começam a ter mais curiosidade sobre esta área, ou já a tinham? É uma área em desenvolvimento?

Sem dúvida que há uma enorme curiosidade nesta área e a SPDOF veio contribuir para espicaçar essa curiosidade. Num ano e meio de existência temos um número incrível de seguidores nas redes sociais, tivemos o congresso de 2015 cheio e um segundo congresso em Março deste ano que prevemos vá superar claramente o número de inscrições do último.

Os médicos dentistas são uma peça fundamental na DTM, podemos considerar que além da atuação direta no diagnóstico e tratamento são muitas vezes coordenadores do caso clinico do doente entre as diferentes especialidades.

Qual a sua opinião sobre o tema do momento: a inclusão dos médicos dentistas no SNS?

Foi com enorme agrado que recebi esta notícia. Há uma enorme percentagem de portuguesas e portugueses que, por razões económicas, não conseguem ir ao dentista, não tratam os dentes, com consequências graves para a sua saúde e para a sua vida profissional e pessoal, ficando por vezes reféns de seguradoras ou de empréstimos bancários. É uma medida que a nossa Ordem há muito tempo que procurava e fiquei muito feliz que finalmente o tenha conseguido.

Todas as sociedades desenvolvidas já perceberam que o dinheiro que é gasto em prevenção é muito menor que o dinheiro gasto em tratamentos e é este o caminho que espero que a Medicina Dentária siga no Sistema Nacional de Saúde.

Permitam-me também expressar a minha opinião enquanto docente numa faculdade de Medicina Dentária, onde me preocupo muito com ânsia da falta de emprego dos meus alunos. Desta forma abre-se uma nova carreira, com perspetivas muito interessantes.