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André Mariz de Almeida – “Apaixona-me conseguir melhorar a vida aos meus doentes”

No passado dia 29 de setembro, durante a entrega dos Prémios Saúde Ora 2016, o médico dentista André Mariz de Almeida foi distinguido com o Prémio Figura do Ano na Área da Oclusão. Quisemos saber o que representa a conquista do troféu e quais os projetos para o futuro.

O que representa para si vencer o Prémio Figura do Ano?

O Prémio Saúde Oral é um reconhecimento dos nossos pares, escolhido e votado por profissionais de saúde oral e, por isso, é uma enorme honra recebê-lo. É a confirmação que estamos na direção certa e de que alguém nos está a seguir, a ver e a apoiar. É um orgulho especial receber este prémio em conjunto com pessoas que são tão boas, a nível profissional e pessoal, e que são para mim referências na área da saúde oral. Como bem referiu o Jorge André Cardoso é “um mimo muito bom”.

Como tem sido o seu percurso na medicina dentária e porque escolheu esta área?

Queria ser médico, venho de uma família de médicos e tinha a certeza que ia entrar para Medicina. Mas os meus pais, sabiamente, aconselharam-me a fazer também a matrícula no Instituto Superior de Ciências Egas Moniz – “só por segurança, caso não entres”. Este “só por segurança” dura até hoje, porque me apaixonei pela Medicina Dentária, pela Faculdade onde ainda ensino e por esta área que muitos consideram mística que é a Oclusão e a Dor Orofacial.

Quem me conhece diz que me brilham os olhos e que desato a gesticular quando falo de Oclusão e Dor Orofacial . A verdade é que me apaixona conseguir melhorar a vida aos meus doentes. Trata-se de uma especialidade com duas vertentes: a reabilitação, onde tenho a sorte de poder planear e estudar de que forma posso devolver capacidades aos pacientes, bem como um novo sorriso; e a Dor Orofacial à qual me tenho dedicado mais ultimamente. Esta área é absolutamente mágica para mim, aparece numa altura em que eu achava que tinha estagnado e devolveu-me força e vontade para voltar a investigar, aprender e, sobretudo, sentir-me muito útil.

Viver com Dor Orofacial, com disfunção de ATM é altamente incapacitante para os doentes, que muitas vezes são muito mal tratados por médicos e família. É fácil ver e ser empático com uma perna partida, mas ninguém percebe o desespero de uma nevralgia do trigémio ou de uma dor miofascial que impede de rir. São estes os desafios que me movem e motivam para, todos os dias, ouvir e diagnosticar os meus doentes. Muitas vezes são percursos longos, mas são as vitórias que conseguimos atingir juntos que me deixam profundamente feliz e realizado.

Há um marco importante nesta área que não posso deixar de referir que foi a criação da Sociedade Portuguesa de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SPDOF), saída da cabeça brilhante e generosa de três grandes amigos: o David Sanz, um dos melhores cirurgiões de maxilofacial que conheço, o Júlio Fonseca uma referência indiscutível na Medicina Dentária e o Tiago Oliveira, um excelente e modesto fisioterapeuta. Na sua génese, esta sociedade representa a única forma possível de trabalhar em Oclusão que é numa equipa multidisciplinar.

A SPDOF permitiu-me ser o presidente do maior congresso desta área em Portugal e um dos maiores da Europa, em Março de 2016, ser coordenador de um livro sobre farmacologia em Dor Orofacial, ser co-autor de capítulos em dois livros e ajudar a tornar esta área mais acessível a profissionais de saúde e, sobretudo, aos nosso doentes. Ainda sobre a minha formação fiz o percurso normal no que toca a pós-graduação na área, mestrado e entrada no Doutoramento, sempre apoiado – mas com muita liberdade – pelos professores Sérgio Félix e Paulo Maurício.

Projetos para o futuro?

Quero concluir o doutoramento, não pelo título, mas por me permitir apostar na investigação e, assim, ajudar mais pessoas. Outra área em que quero investir mais, e aí vou apoiar-me na SPDOF, é na divulgação da Dor Orofacial, promovendo o acesso a tratamento e, desta forma, ajudar os pacientes que vivem incompreendidos.

Antecipo que 2017 seja um ano muito intenso, com o previsto lançamento da consulta de Dor Orofacial da Clínica Universitária Egas Moniz e com a criação da pós-graduação em Dor Orofacial e Oclusão no Instituto Superior de Ciências Egas Moniz, nos mesmos moldes das diferentes pós-graduações com forte impacto internacional que a Egas Moniz está a realizar.