Opinião

Vamos tartarugas!

Vamos tartarugas!

Corre o ano de 2018, a Ordem dos Médicos Dentistas celebra 20 anos de existência e a nossa classe atinge o quinto dígito. Por isso, hoje falarei de Cheloniidae, mais vulgarmente conhecida como tartaruga marinha. E porquê? A analogia é quase impossível de não ser feita e vi-me forçado a utilizar esta rubrica para o fazer.

Pela primeira vez não escrevo sobre negócio, patient experience ou neurociência, hoje escrevo qual David Attenborough num programa de vida selvagem. Comecemos pelo eclodir do ovo, as tartarugas-fêmeas colocam milhares de ovos e desses apenas uma ou duas chegarão a ser tartarugas adultas, tal como as faculdades que colocam tantos ovos, mas nem todos maturam. Mas não há motivo de preocupação, esta taxa de mortalidade é algo natural, essas tartarugas recém-nascidas servem de alimento a outros animais e ajudam a manter a biodiversidade, assim como muitos de nós servimos de alimento a grandes redes de clínicas.

Um dado fascinante sobre esta família de espécies é a sua capacidade de ler o campo magnético da Terra. Desta forma, assim que nascem, as tartaruguinhas sabem para onde fica o Mar, da mesma forma que muitos de nós sabemos o caminho de França, Suíça, Holanda, Reino Unido…. Só quando atingem a sua maturidade reprodutiva (aos 30 anos) é que estes seres de carapaça dura regressam à sua praia natal para dar início a um novo ciclo.

Mas a vida não é fácil para estes serem quelónios, foram continuadamente explorados durante séculos pelas mais diversas indústrias e a sua existência está severamente ameaçada.

Ironias à parte, saíram agora os “Números da Ordem” e o cenário não é o mais animador. Por outro lado, e só é um clichê porque é mesmo verdade, é que é na crise que se criam os maiores impérios. Acredito que o “sobrepovoamento” do nosso Habitat estimula ainda mais os colegas que por cá ficam a excederam-se e a singrarem profissionalmente.

Somos muito modelados desde cedo a dizer: NÃO! Houve um paciente que queria tratamento ortodôntico, mas não se queria ver com brackets, em vez de dizer NÃO, inventou-se o Invisalign®. Outro paciente precisou de uma reabilitação com implantes de toda uma arcada, mas não queria esperar por enxertos e levar a prótese no mesmo dia, em vez de dizer que NÃO, inventou-se a técnica sobre 4 implantes. Ainda outro quis ter um preview quase imediato de como ficaria no final do tratamento com as suas coroas e facetas, mas queria tudo para ontem, em vez de levar um NÃO, inventou-se o DSD®.

Normalmente dirijo-me aos colegas que são donos de clínicas, ou aos gestores de clínicas dentárias. Este artigo, no mês do Congresso da OMD em que a mesma faz o seu 20º aniversário, dedico-o aos colegas que iniciam agora o seu percurso profissional. Mais do que ser Excelente, porque podemos fazer os melhores cursos e ler os melhores livros, há que tentar ser um pouco diferente e criativo. O mercado precisa de jovens e os jovens têm que trazer inovação. Vamos Tartarugas!