Clínicas Dentárias

Uma clínica tradicional que vive da relação próxima com os pacientes

Uma clínica tradicional que vive da relação próxima com os pacientes

Apostar na qualidade e na personalização dos tratamentos sempre foi uma das preocupações do médico dentista Ricardo Rodrigues. De tal modo, que tem vindo a investir no upgrade das instalações e na aquisição de equipamentos de vanguarda. O próximo projeto passa por abrir uma nova clínica, por forma a proporcionar melhores condições e mais competências aos pacientes.

Situada em Abragão, uma freguesia do concelho de Penafiel, é uma clínica com dois consultórios dentários e foi adquirida em 2006 pelo médico dentista Ricardo Rodrigues, no mesmo ano em que se licenciou pela Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP). A atração pela profissão vem de longe, quando era apenas paciente e tentava desvendar o que é que o seu médico dentista fazia durante as consultas e os tratamentos que lhe prestava. A minúcia da atividade e a curiosidade acerca do trabalho manual desenvolvido deram o mote para um fascínio que acabaria por ser decisivo na escolha da carreira futura.

Comparava o consultório dentário a “uma pequena loja de bricolagem”, conta, em começo de conversa. “Sempre quis perceber o que é que o médico dentista estava a fazer com a broca e sentia a necessidade de descodificar os materiais que utilizava, porque os achava muito estranhos”, partilha. Medicina Dentária acabou por ser uma opção natural, e, passados 20 anos, tem a certeza de que não se enganou.

O percurso formativo teve início na Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU), tendo sido transferido dois anos depois para a FMDUP, onde concluiu o curso. Antes de terminar a licenciatura, já se falava da dificuldade em arranjar trabalho, e o médico acabou por antecipar a compra da sua própria clínica, começando a trabalhar sozinho. “No entanto, como era um pouco impaciente, decidi ir trabalhar para Inglaterra no ano seguinte, à semelhança do que tinham feito alguns colegas, mas mantendo a clínica cá”, diz. No primeiro ano, vinha a Portugal uma semana por mês, e no segundo, esteve em part-time em ambos os países. Viajava todas as semanas e contava com o apoio de alguns colegas que asseguravam o trabalho na sua clínica. Três dias eram passados em território nacional, e outros três, perto de Londres.

A experiência em Inglaterra

O percurso que fez no estrangeiro acabou por ser decisivo na forma como a Clínica Dr. Ricardo Rodrigues foi crescendo. “Era uma realidade totalmente diferente, com uma remuneração muito mais alta, logo de início, comparado com o que se pagava cá, e com um grande número de pacientes e tratamentos por dia. No início, isso era uma mais-valia, mas depois começou a pesar, porque não se conseguia primar pela qualidade. Ou seja, eu estava a trabalhar praticamente para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) inglês, fazia os tratamentos possíveis, mas privilegiava-se a quantidade”, explica.

Uma clínica tradicional que vive da relação próxima com os pacientes

Quando sentiu que a evolução profissional lhe estava a faltar, além do cansaço decorrente das muitas viagens – e apesar da consciência de que não existem “sistemas de saúde perfeitos” –, decidiu regressar a Portugal… até hoje.

Em paralelo com a sua profissão e na ânsia de não parar de aprender e de proporcionar os melhores tratamentos aos seus pacientes, acabou por tirar uma pós-graduação em Implantologia, em 2009; um curso de mestrado de Periodontologia, um ano depois; e uma pós-graduação em Reabilitação Oral Biomimética, em 2016. “Nesta profissão, temos de estar sempre atualizados e a formação é fundamental. Por vezes, as inovações são rápidas demais e podemos ter de voltar atrás, mas há que estar atento ao que está a acontecer na ciência, na formação e na indústria. Se não nos mantivermos atualizados, não vamos conseguir proporcionar o melhor tratamento e a melhor escolha aos pacientes”, defende.

Atualmente, Ricardo Rodrigues assegura as consultas e os tratamentos de periodontologia, implantologia e reabilitação estética, e os colegas, Artur Cunha e Raquel Reis, dedicam-se à endodontia e à ortodontia, respetivamente. “A clínica não é muito grande, mas é a que sinto necessidade de ter. É uma clínica tradicional, que vive muito da relação com o paciente e não da massificação da carteira de clientes”, explica. Em 2012, houve a necessidade de melhorar e renovar as instalações. “Devido à minha experiência e à preocupação em trabalhar em prol da qualidade em detrimento da quantidade, fui investindo também em novos e melhores equipamentos”, sublinha. Assim, a clínica foi apetrechada com o que se pode considerar de vanguarda tecnológica, dispondo de equipamento de RX CBCT com ortopantomografia e teleradiografia; scanner intraoral digital; scanner facial digital; endodontia mecanizada; equipamentos para fotografia intraoral profissional e software para cirurgia guiada de implantes.

“Por vezes, as inovações são rápidas demais e podemos ter de voltar atrás mas há que estar atento ao que está a acontecer na ciência, na formação e na indústria. Se não nos mantivermos atualizados, não vamos conseguir proporcionar o melhor tratamento e a melhor escolha aos pacientes” – Ricardo Rodrigues 

O crescimento da clínica resulta de um caminho que o médico dentista e proprietário foi fazendo ao longo do tempo. “Nunca quis ter muitos pacientes. Queria completar a agenda, sim, mas com pessoas que procurassem tratamentos diferenciadores e de qualidade”, afirma. Acompanha alguns dos pacientes, de várias idades, há muitos anos, conhecendo os hábitos de cada um e avaliando as necessidades de forma personalizada.

Quando abriu a clínica, foi preciso desbravar terreno. Hoje, a fidelização é uma realidade e os clientes chegam sobretudo por referenciação de outros, o que é vantajoso, na opinião de Ricardo Rodrigues. “Pelo que consigo avaliar decorrente do meu percurso profissional, o paciente sensível a promoções e a publicidade tem uma postura diferente daquele que procura a clínica porque foi recomendado por outro que teve uma boa experiência. Quem vem referenciado, à partida, tem uma confiança no médico que o vai tratar, o que auxilia o trabalho.”

A evolução da medicina dentária em Portugal

Ricardo Rodrigues considera que Portugal está acima da média em relação a outros países, como a França, a Suíça, a Holanda e a Inglaterra. “A média das clínicas em Portugal tem melhores instalações do que em Inglaterra e França, pois são dois países com SNS que cobrem tratamentos dentários. Por um lado, os médicos dentistas não têm de se preocupar em angariar pacientes, mas por outro, se os profissionais tiverem uma personalidade no sentido de quererem evoluir, como têm uma carteira de pacientes quase imediata, podem descurar facilmente o investimento em melhores instalações ou em tratamentos mais diferenciadores”, explica.

Considerando que as clínicas nacionais estão mais bem equipadas do que as do Reino Unido, o médico dentista nota uma grande diferença em relação aos anos 1970-80, em que se privilegiava, em Portugal, a extração e a resolução fácil. “Hoje, já não é bem assim e tentamos salvar o dente, sempre que possível. Somos muitos dentistas e tentamos oferecer serviços diferenciados da concorrência, e uma das formas de fazê-lo é proporcionar a melhor experiência ao paciente, evitando o sofrimento. Foi feito um grande trajeto desde essa altura e se o paciente considerar que sofreu de forma desnecessária, tem sempre alternativas à disposição.”

Ao fim destes anos de prática clínica, Rodrigues acredita que os pacientes protelam menos a ida ao dentista quando se apercebem de algum problema dentário e observa também uma melhoria da saúde oral na população em geral. “É do interesse do médico dentista promover a prevenção e a saúde oral, porque também o seu trabalho fica facilitado”, diz. Na sua clínica, cada paciente tem um plano de tratamento inicial e as marcações seguintes são feitas se se justificar. Caso contrário, o médico transmite a sua sugestão sobre a periodicidade recomendada para cada pessoa, dando alguma liberdade para que os pacientes agendem as suas consultas de rotina, sem recorrer a qualquer tipo de pressão. “A saúde oral de cada paciente deverá ser, em última análise, da responsabilidade do próprio, sem paternalismos, apenas sugestões por parte do dentista”, defende.

Uma clínica tradicional que vive da relação próxima com os pacientes

O médico fica desapontado pela forma como algumas clínicas dentárias trabalham atualmente, assumindo que não tem nenhum acordo de saúde. “Neste momento, os preços que existem em Portugal com os acordos de várias seguradoras e com a ADSE, por exemplo, são um pouco ridículos. Se uma clínica trabalhar basicamente a partir dos mesmos, que se têm vindo a multiplicar, acaba por ser low cost, por definição, porque está a aceitar tabelas que são impostas, e muitas vezes, com tratamentos a custo zero”, explica. “Os tratamentos de baixa remuneração para o dentista existem, estão a crescer, e julgo que muito se deve à enorme quantidade de licenciados que saem todos os anos das universidades”, acrescenta, sem recriminar a postura de quem tem um consultório e não consegue sobreviver, acabando por ter de aceitar estas condições. “Existem situações limite, e por vezes, tudo se resume a aderir a este tipo de acordos ou a ter de emigrar e deixar a família cá”, sublinha.

Aos atuais colegas, aconselha: “[A] não terem medo de investir na formação e nos materiais que utilizam, porque o retorno é quase garantido: os pacientes vão valorizar e notar a diferença.” Só assim se consegue trabalhar com rigor, assegura. Aos futuros médicos dentistas, que estão agora a tirar o seu curso, diria que devem apostar na qualidade, na honestidade nos tratamentos e na transparência com o paciente. “Apostar na qualidade pode ser mais difícil e demorar mais tempo, mas é mais recompensador a nível pessoal e profissional”, conclui.

Projeto futuro: uma nova clínica

“O nosso sucesso depende da nossa aceitação. A medicina dentária é das profissões mais democráticas que podem existir, porque ou os pacientes gostam de nós ou não, ou procuram os nossos serviços ou não”, salienta Ricardo Rodrigues.

O médico dentista avança à SAÚDE ORAL que adquiriu há pouco tempo novas instalações, com cerca de 500 m2, no centro de Penafiel, com o intuito de abrir uma segunda clínica: “Não para atender mais pacientes, mas para ter mais competências.”

O espaço já foi adquirido, mas ainda não existe data prevista para a inauguração. “Vou ter três a quatro consultórios e gostava de ter uma sala dedicada à fotografia, outra específica para o recobro dos pacientes, um consultório apenas para cirurgia e uma sala exclusiva para próteses dentárias, para dar alguns exemplos.” A maneira de trabalhar manter-se-á, neste que é ainda um projeto em avaliação, mas que traz muitas expectativas ao médico.

A clínica atual não fica muito distante da futura e manterá atividade em paralelo. “Aprendi tudo aqui, comecei com poucos pacientes, cresci muito à custa da confiança e da honestidade e esta clínica tem um grande valor emocional para mim”, revela Ricardo Rodrigues, que assume que o projeto ainda está numa fase embrionária e com um objetivo bem delineado – proporcionar melhores condições aos pacientes.