Clínicas Dentárias

Real Clínica aposta na qualidade e diferenciação

Real Clínica aposta na qualidade e diferenciação

Na Real Clínica, a aposta vai para a qualidade e a diferenciação. Nesta clínica ‘perdida’ numa área rural da zona saloia vive-se um ambiente familiar. Uma mais-valia para os pacientes, que sentem que “não estão numa fábrica de fazer tratamentos”.

Na Real Clínica, em Vila Franca do Rosário (concelho de Mafra), um espaço onde a medicina dentária coabita com outras áreas da medicina, o ambiente que se vive é familiar. João Reis é o diretor clínico da área da medicina dentária e o pai, José Reis, das restantes especialidades. Nesta unidade saúde trabalha também a médica dentista Joana Farto, esposa de João Reis. Quanto aos restantes elementos da equipa, “todos os colegas são nossos amigos”, declara João Reis.

O que resulta num “bom ambiente”, completa Joana Farto, que acaba por “transparecer para os pacientes”, assegura João Reis, acrescentando que estes “sentem que não estão numa fábrica de fazer tratamentos. Atendemos famílias inteiras, temos desde o neto ao avô”. E mesmo analisando o tipo de pacientes em termos socioeconómicos, “temos desde o dono da empresa ao porteiro, ou seja, somos muito abrangentes, não diferenciamos por idades nem por camadas socioeconómicas”, refere o diretor clínico.

Os campos saloios

O projeto da Real Clínica começou a ser delineado em 2003. “Já tínhamos uma unidade de saúde mais pequena, a cerca de um quilómetro de distância, que existia desde os anos 80”. Porém, as limitações em termos de espaço estavam a impedir que João Reis sonhasse mais alto: “queríamos crescer e no local onde nos encontrávamos era impossível”.

A clínica atual é um edifício imponente de traços modernos ladeado por árvores e inaugurado em 2008. Apesar de estar apenas a 25 minutos de Lisboa, situa-se numa zona de rural, com vista para os campos da zona saloia, havendo até ovelhas a pastar do outro lado da estrada. Um quadro pitoresco que agrada e enche o olho a quem descobre este espaço. “Estamos longe de tudo, o que é a nossa mais-valia e, ao mesmo tempo, o nosso handicap, pois não temos uma visibilidade muito fácil”, diz o médico dentista, especificando que “não é fácil chegar aos clientes, mas quando aqui chegam gostam do espaço e do serviço. Hoje em dia, as novas tecnologias são uma vantagem porque já é possível chegar a um grande número de pessoas sem ser preciso recorrer aos métodos tradicionais de publicidade”. Além disso, “também funcionamos muito por referenciação”, revela Joana Farto, argumentando que “há muitas pessoas que chegam através dos colegas, o que é uma mais-valia e um voto de confiança”.

Em expansão

O mote da Real Clínica é a diferenciação e a qualidade. “Tentamos crescer com bases sólidas e apostando na diferenciação e na qualidade”, reforça João Reis. Algo que também se consegue “através da aposta numa formação contínua e especializada”. Neste momento, a expansão da clínica está a acontecer sobretudo a nível da medicina dentária. De tal modo que brevemente se vai passar de três a quatro gabinetes nesta área.

Em termos de valências, o leque de oferta é bastante abrangente: “temos a Joana, que é especialista em Odontopediatria pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), e também se dedica à ortodontia; eu faço Cirurgia Oral, também especialista pela OMD, Implantes e Reabilitação Oral; depois temos um colega especialista em Endodontia, uma Higienista Oral e uma colega que é generalista, mas também faz a consulta de Odontopediatria”. Porém, a equipa está prestes a aumentar, pois “estamos em fase de contratação”, revela o responsável.

Fora do âmbito da medicina dentária, na Real Clínica encontramos consultas de Clínica Geral, Pediatria, Oftalmologia, Psicologia Clínica, Terapia da Fala, Endocrinologia, Urologia, Ginecologia e Obstetrícia, Cardiologia, Ortopedia e Cirurgia Plástica. Olhando para estes 10 anos, João Reis afirma sem hesitações que o projeto “até agora tem sido um sucesso”. Mas admite que teve os seus momentos de dúvidas e receios: “antes de abrir a clínica lembro-me que havia dias em que estava muito confiante e outros nem por isso. Na véspera de abertura cheguei mesmo a pensar que era doido”. No entanto, volvida uma década, “não me arrependo pois a clínica tem-nos permitido crescer do ponto de vista profissional e temos tido um ótimo feedback por parte dos nossos pacientes”.

Apostar na formação

Com a Real Clínica já bem cimentada é hora de começar a alargar o ‘raio de ação’. Neste sentido, João Reis explica que “tanto eu como a Joana estamos a dar formação nas nossas áreas de especialização porque ao fim de alguns anos faz-nos sentido este caminho”. Ambos os médicos dentistas querem enveredar de ‘pedra e cal’ na área da formação, “não especificamente aqui na clínica. Apesar de estar na calha, mas ainda não sei se é para avançar a curto ou a médio prazo nas nossas instalações”.

O responsável sabe apenas que só avança no dia em que “já tivermos algo bem estruturado e diferente dos cursos ditos tradicionais”. Aliás, na opinião do diretor clínico, “até os cursos das faculdades deveriam ser estruturados de uma forma distinta”. E, por isso, “estamos a tentar perceber de que modo podemos fazer diferente”.

Além deste projeto, no futuro “queremos continuar a expandir a clínica na área da medicina dentária, mantendo a mesma forma de trabalhar, ou seja, funcionando cada vez mais de uma maneira integrada”.

 

“A falta de componente prática é um mal que vem logo desde a faculdade”

“Quando comecei a dar formação voltei a ter contacto com recém-licenciados e o mercado agora é completamente diferente de quando me licenciei”, revela João Reis. Em 2002, quando terminou a licenciatura, “a especialização era quase inexistente em Portugal e, por isso, muita gente ia fazer cursos de pós-graduação ao estrangeiro”. Atualmente a realidade mudou: “é mais fácil ter acesso à informação pois hoje há canais no Youtube, o Slideshare”, entre outras plataformas. Daí que presentemente “tenho contacto com colegas que terminaram o curso há dois ou três anos e já possuem cursos feitos com todos os gurus da sua área. No entanto falta-lhes pacientes”, refere o diretor clínico. Por outras palavras, estes profissionais “são altamente qualificados em termos de conhecimento, mas depois há um gap muito grande porque lhes falta a parte prática”. Apesar de acreditar que a especialização é o futuro, o médico dentista sublinha que “o mercado em Portugal está fechadíssimo e quem vai para uma clínica vai fazer aquilo que os outros não querem. Há igualmente quem imigre, mas muitas vezes também continua sem ter acesso ao tipo de pacientes onde poderia realizar os tratamentos para os quais têm formação”.

No entanto, como complementa Joana Farto, “a falta de componente prática é um mal que vem logo desde a faculdade. Quando cheguei em 2002 a Barcelona para fazer o mestrado percebi que tinham um curso de cinco anos quase sem prática nenhuma. Como havia mestrados em várias áreas, os pacientes eram todos canalizados para esses cursos”. E, de acordo com a odontopediatra, “é o que está a acontecer agora na faculdade de medicina dentária: os pacientes que tínhamos na faculdade são semelhantes aos das clínicas low cost e como é mais barato ir a estes espaços do que à faculdade acabamos por ter um problema de raiz”.