O Consultório Ideal

O consultório ideal. Existe? O que é? Como se ergue um? O desafio da Saúde Oral para esta edição foi precisamente esse. Junto de especialistas de várias áreas, Perceber o que mais influencia os pacientes, junto de especialistas de várias áreas, O que mais os atemoriza, ou motiva. As cores do consultório, a decoração, as paredes, a banda sonora, entre muitos outros factores. Fique, então, a conhecer o que mais se poderá aproximar de um consultório de medicina dentária perfeito.

 

Luís Pedra Silva, da Pedra Silva Arquitectos, é especialista na concepção de consultórios médicos que nada têm a ver com o espaço convencional a que estamos habituados. Para o arquitecto, o objectivo dos projectos em que está envolvido, passa por não transmitir o ambiente clínico tradicional. “O espaço mexe com a mente do paciente. A não transmissão da ideia de ambiente hospitalar é bastante importante para que o doente se sinta mais confortável”, explica. Segundo Luís Pedra Silva, este conceito nasceu nos Estados Unidos, “nas clínicas de cirurgia plástica, onde os gabinetes eram construídos em ambientes de escritórios luxuosos”. Na White, a opinião é similar, ainda que existam algumas nuances. “O consultório ideal não existe. Sempre fui apologista de espaços que fugissem à regra daquilo que seria de esperar”, afirma Miguel Stanley, CEO da White. Para sustentar este ponto de vista, o médico dentista dá o exemplo da primeira clínica na Lapa, em Lisboa. “Tinha uma sala de tratamento com 50 metros quadrados e um jardim japonês ZEN ao centro. As pessoas relaxavam imediatamente. Às vezes parecia que estávamos ao ar livre”. Ainda na mesma temática, Paulo Maló, da Maló Clinics, realça a importância do espaço, mas relega esse pormenor para segundo plano. “Quando nos visitam, vêm cá pelos nossos médicos e serviços, mas ao perguntarmos se estão satisfeitos com o espaço, dizem-nos logo que ficaram bastante impressionados”. O médico dentista refere ainda que a decoração não pode ser caseira e vazia, como a que existe nos centros de saúde ou hospitais. “Não se deve fazer uma decoração caseira, mas também não pode ser estéril como um hospital. Salas amplas e o espaço de espera confortável. Os cheiros também são importantes”, enumera.

Experiências desagradáveis

Mesmo minimizando a ansiedade do paciente, esta não desaparece devido à melhor ou pior decoração num consultório. Há outros medos que insistem em estar presentes no psicológico que de quem visita um dentista. Disso mesmo fala Luísa Barros, professora na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. “Há razões históricas que influenciam a mente do paciente. Antigamente, uma ida ao dentista era algo dolorosa. Hoje, todos sabemos que já não é assim, mas há toda uma geração que ainda tem bem presente esses momentos de dor”, explica a académica. A terceira idade é, para Jorge João, director clínico da Clínica Sorrisos.

Felizes, um dos mais receosos. “Nota-se sempre algum receio, principalmente na primeira consulta e nos pacientes mais idosos, que ainda não conhecem a nossa maneira de trabalhar”. Também sobre a dor fala Paulo Maló. “Todo o ser humano tem medo da dor. As pessoas estão sempre apreensivas, mesmo com todas as inovações que têm acontecido nesta área”. Ricardo Crespo, médico dentista da Vital Dent, tem a mesma opinião que o seu colega. “Existe ainda uma “fobia” ao dentista. Muitas pessoas referem ter pânico por terem passado por experiências desagradáveis”.

É, precisamente, sobre essas experiências desagradáveis que Luísa Barros explica o medo que existe à volta da figura do dentista. “Os pacientes mais velhos tiveram, quase de certeza absoluta, experiências bastante dolorosas. De uma forma natural, passam esse receio para as gerações mais novas. Para piorar o cenário, temos vários filmes em que uma simples ida ao dentista é conotada negativamente. Com todo este cenário montado, torna-se mais difícil a consciencialização que hoje já não é assim. Os mais jovens têm já uma abordagem diferente”.

Comunicação: uma das soluções

“A excelência do atendimento nas suas diferentes componentes: médico, técnica e humana. Não tratamos dentes, mas sim pessoas, procurando devolver-lhes a felicidade”. Jorge João, da Clínica Sorrisos Felizes, é o autor desta frase, em resposta à questão da importância comunicativa. Um dos principais problemas e defeitos apontados muitas vezes aos médicos dentistas, tem que ver com a falta de comunicação com os seus pacientes. Como se trata de uma área bastante técnica, não existe troca de informação. O paciente senta-se na cadeira, e o dentista começa a intervenção. Nada mais errado, segundo a opinião dos especialistas contactados pela Saúde Oral. “O mais importante é que o médico e o paciente tenham uma relação única. Existe um plano de tratamento integral, onde são apresentadas soluções únicas e ajustadas à necessidade do indivíduo em causa”, esclarece Ricardo Crespo. Luísa Barros, que também colabora com a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, afiança que a comunicação é meio caminho andado para acalmar o doente. “A comunicação é fundamental. A possibilidade de haver opções de escolha.

O médico dentista dialogar antes da intervenção, de preferência fora do ambiente clínico onde vai decorrer a consulta. Tudo boas soluções para acalmar quem visita uma clínica de medicina dentária”.

…o espaço, de novo

Como o tema nevrálgico deste trabalho se centra no espaço que os consultórios disponibilizam aos seus clientes, fomos obrigados a voltar a abordá-lo, ainda que sob uma perspectiva um pouco diferente. Uma das divisões mais importantes, segundo as fontes contactadas, é a sala de espera. É aqui que tudo começa. “A zona de espera e circulação devem ser bastante pensadas. Estamos agora a fazer quatro novas clínicas que nada se parecem com consultórios. Não sobrepomos a estética à higiene ou ao profissionalismo, mas sentimos que a pessoa sente-se mais confortável num ambiente mais clean, do que num espaço hospitalar”, confessa o arquitecto Luís Pedra Silva.

A professora da Faculdade de Psicologia mantém o mesmo comprimento de onda. “Uma pessoa que se sinta desconfortável na sala de espera aumenta, de forma automática, os seus níveis de ansiedade e receio. Deve ser um espaço pensado com todo o rigor. Deve haver música, televisão. É óbvio que existem todos os factores como a higiene, profissionalismo, mas convém não esquecer que, muitas vezes, as pessoas ficam inibidas pela exiguidade do espaço onde estão”. Miguel Stanley, da White, é ainda mais crítico relativamente a consultórios retrógrados. Para este médico, os espaços de consulta e recepção do cliente devem ser melhores que o seu domicílio. “Não entendo como ainda há clínicas que estão hoje, como estavam há 30 anos. A minha clínica tem de ser melhor do que a minha própria casa, pois é onde passo a maior parte do tempo”, sublinha.

  • Ligação entre os diversos espaços do consultório
  • Não transmissão da ideia de ambiente hospitalar
  • Zona de circulação e sala de estar amplas e agradáveis
  • Zona de recepção privada
  • Cadeiras e sofás em óptimo estado de conservação
  • Evitar a “presença” de cheiros associados aos consultórios dos médicos dentistas
  • Comunicação constante entre profissionais e pacientes
  • Presença de música relaxante, similar à utilizada em SPA´s
  • Equipas qualificadas e especializadas nas diversas áreas
  • Equipamentos e materiais de qualidade
  • Motivos de interesse e distracção (mais direccionado para crianças)
  • Arrumação do espaço
  • Existência de muita luz
  • Televisores e iPod stations
  • Galerias de arte (apenas para consultórios ou clínicas que possuam espaço)
  • Restaurante ou bar